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Análise: Vivo acelera Ebitda no segundo trimestre, mas lucro decepciona

Análise: Vivo acelera Ebitda no segundo trimestre, mas lucro decepciona

Lucro líquido de R$ 1,6 bilhão ficou 11,6% abaixo das estimativas do Bradesco BBI, pressionado por Ebitda menor e depreciação mais elevada

A Vivo (VIVT3) reportou resultados mistos no segundo trimestre de 2026, com aceleração do Ebitda e destaque positivo em serviços móveis, mas com lucro líquido e geração de caixa abaixo das estimativas dos analistas.

O Ebitda cresceu 10,9% na comparação anual — o melhor ritmo desde o terceiro trimestre de 2023 —, com margem de 41,8%, expansão de 1,3 ponto percentual. No entanto, o lucro líquido somou R$ 1,6 bilhão, alta de 17% anual, mas 11,6% abaixo da projeção do Bradesco BBI.

Seria injusto classificar o resultado da Vivo como negativo, dado que a companhia entregou aceleração no crescimento da receita de serviços e manteve uma performance bastante resiliente em serviços móveis“, afirmam Daniel Federle e Flávia Meireles, analistas do Bradesco BBI.

No entanto, os analistas alertam para o risco de revisões negativas nas estimativas do consenso, dado que os desvios em Ebitda, lucro e geração de caixa são relevantes para os principais múltiplos do setor.

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Vivo lidera entre as operadoras em serviços móveis

O principal destaque positivo do trimestre foi o desempenho em serviços móveis. A receita de serviços móveis cresceu 6,6% na comparação anual — mesma taxa do primeiro trimestre de 2026 —, tornando a Vivo a única grande operadora brasileira a não registrar desaceleração nesse indicador no período, especialmente após os resultados mais fracos da Claro.

“Vivo se destacou como a única grande operadora brasileira a não registrar desaceleração no crescimento da receita de serviços móveis — resultado tranquilizador após os resultados abaixo do esperado da Claro na semana passada”, afirmam Carlos Sequeira, Osni Carfi e Bruno Ferreira, do BTG Pactual.

O pós-pago, que representa 87% da receita de serviços móveis, cresceu 7,9% anual, sustentado por base de 73,2 milhões de clientes e churn em mínima histórica de 1,0%. O pré-pago, por sua vez, recuou apenas 1,3% — queda bem mais moderada do que os 10,6% registrados no segundo trimestre de 2025.

Custos sob controle, mas capex surpreende negativamente

Do lado dos custos, a Vivo entregou tendências positivas na maioria das linhas, com custos operacionais crescendo abaixo da inflação, em 3,2% anual, e provisão para inadimplência estável.

“O crescimento da receita de 7,6% no comparativo anual superou o crescimento total de custos de 5,3%, sustentando a expansão de margem”, destacam Silvio Dória e Guilherme Bellizzi Mota, analistas do Safra.

No entanto, o capex de R$ 2,6 bilhões ficou 6,1% acima do esperado pelo Bradesco BBI e 5% acima da estimativa do BTG, pressionando a geração de caixa operacional.

Apesar disso, o fluxo de caixa operacional cresceu 17,4% na comparação anual, para R$ 2,64 bilhões. Em serviços fixos, o FTTH acelerou para crescimento de 10,7% anual, apoiado por 8,2 milhões de casas conectadas e penetração crescente do Vivo Total.

Analistas cautelosos no curto prazo

Apesar do crescimento resiliente da receita móvel e da melhora em FTTH, os três bancos adotam postura mais cautelosa para as ações no curto prazo.

“A leitura para a ação tende a ser mais cautelosa, especialmente após a recuperação recente dos papéis e o desempenho superior frente à TIM”, ressaltam Federle e Meireles.

O ambiente competitivo segue intenso, limitando uma visão mais otimista para a trajetória de crescimento, e o comentário da administração sobre potencial de novos reajustes de preços será determinante para calibrar as expectativas dos próximos trimestres.

O Bradesco BBI mantém recomendação neutra para a Vivo, com preço-alvo de R$ 39. O BTG, por sua vez, segue construtivo com o papel, destacando o posicionamento premium da companhia e a consistência na execução operacional como diferenciais estruturais frente aos concorrentes.

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