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Mercado Livre acelera crédito e controla inadimplência

Mercado Livre acelera crédito e controla inadimplência

A carteira monitorada dos três principais FIDCs somou R$ 7,2 bilhões ao fim de dezembro, registrando alta de 0,5% na comparação mensal e avanço de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior

O financiamento online segue como um dos principais vetores de expansão do ecossistema do Mercado Livre (MELI34), que encerrou dezembro de 2025 com crescimento moderado da carteira de crédito e sinais de estabilização nos indicadores de inadimplência, segundo dados consolidados dos fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) utilizados pela companhia no Brasil. A análise é do banco BTG Pactual (BPAC11).

A carteira monitorada dos três principais FIDCs somou R$ 7,2 bilhões ao fim de dezembro, registrando alta de 0,5% na comparação mensal e avanço de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, o crescimento foi de R$ 329 milhões, enquanto apenas no último mês do ano a expansão atingiu R$ 34 milhões.

Segundo relatório do BTG mostra que os FIDCs continuam sendo uma fonte relevante de funding para o financiamento online oferecido pelo Mercado Livre, embora representem cerca de 25% da carteira total de crédito da empresa no país, em um contexto de maior diversificação das fontes de recursos.

Financiamento online: cenário estável

Do ponto de vista da qualidade da carteira, os indicadores apontam para um cenário relativamente estável. A inadimplência em estágio inicial, referente a atrasos inferiores a 90 dias, permaneceu praticamente inalterada em dezembro, em 8,4% da carteira. Já os créditos com atraso superior a 90 dias apresentaram melhora, com queda de 10 pontos-base na comparação mensal, para 14,1%, sugerindo maior controle do risco mesmo com a expansão contínua do financiamento online.

O desempenho mensal está alinhado aos resultados trimestrais mais recentes divulgados pela companhia. No terceiro trimestre de 2025, a carteira do Mercado Crédito avançou 83% em base anual e 18% frente ao trimestre anterior, alcançando US$ 11 bilhões. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo financiamento online ao consumidor, que responde por 37% do portfólio, e pelas operações com cartões de crédito, responsáveis por 44% da carteira total.

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Apesar da expansão expressiva, a rentabilidade do negócio de financiamento online enfrentou pressão no período. O NIMAL recuou dois pontos percentuais na comparação sequencial, para 21,0%, acumulando queda de 320 pontos-base em base anual. Segundo a companhia, parte desse movimento está relacionada ao aumento dos custos de funding na Argentina. Desconsiderando esse fator, a compressão de margem teria sido inferior a 1 ponto percentual.

O Mercado Livre também destacou o aumento da penetração de soluções de financiamento online entre os vendedores da plataforma, que passou de 28,4% no segundo trimestre para 29,7% no terceiro trimestre de 2025. Em paralelo, os indicadores de atraso mostraram evolução positiva: os créditos com mais de 90 dias de atraso representaram 17,6% da carteira, com recuos tanto em base anual quanto trimestral, enquanto os atrasos entre 15 e 90 dias diminuíram 100 pontos-base na comparação anual.

No segmento de cartões, o Brasil registrou no terceiro trimestre um volume recorde de emissões, acompanhado por um novo mínimo histórico nos índices de inadimplência no primeiro pagamento. A empresa informou que essa métrica também apresentou melhora no México. Além disso, as safras de cartões seguem avançando rumo ao equilíbrio e à lucratividade, com cerca de metade da carteira brasileira já operando de forma rentável.

Em um ambiente de competição mais acirrada no comércio eletrônico da América Latina, o Mercado Livre mantém uma estratégia de priorização de escala e penetração do financiamento online como alavanca de crescimento do ecossistema. Ainda assim, a avaliação de analistas é de que, com a ação negociada a múltiplos elevados, a criação de valor no médio e longo prazo dependerá cada vez mais da capacidade da companhia de converter crescimento de receita em recuperação sustentável de margens.

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