As ações da Moura Dubeux (MDNE3) sobem forte, cerca de 6% (às 10h40), nesta quarta-feira (4) após análises de bancos otimistas sobre as operações da construtora.
O Bradesco BBI elevou o preço-alvo de R$ 40 para R$47, enquanto o BTG Pactual retomou a cobertura da empresa com recomendação de compra e alvo de R$ 44 – implicando potenciais de valorização acima de 40%. O catalisador comum é o follow-on (oferta de ações) de R$ 500 milhões concluído em janeiro de 2026.
O impacto mais imediato da oferta, segundo os analistas Bruno Mendonça e Wellington Lourenço, do Bradesco BBI, não foi apenas financeiro.
“O impacto mais relevante na história das ações é a melhora material na liquidez: o volume médio diário de negociação dobrou para cerca de R$40 milhões após a oferta, ampliando a visibilidade da ação tanto entre investidores nacionais quanto internacionais”, destacam.
Maior liquidez significa mais interesse institucional — e potencial de reavaliação de múltiplos.
Minha Casa Minha Vida
Os recursos captados serão direcionados ao fortalecimento do balanço, ao suporte da expansão no programa Minha Casa Minha Vida e à distribuição de dividendos — com yield já anunciado de 7% para 2026.
A marca Única, voltada ao segmento de baixa renda, é o principal vetor de crescimento: as operações devem saltar de R$300 milhões em 2025 para R$1,5 bilhão em 2027. O risco de execução, avalia o Bradesco BBI, é limitado por três fatores: um cronograma interno de lançamentos de R$ 2 bilhões, uma parceria com a Direcional (DIRR3) para desenvolvimentos conjuntos e o uso de métodos construtivos de forma de alumínio já testados na marca Mood.
O BTG Pactual, por sua vez, incorporou à análise o novo cenário macroeconômico, o aumento de capital de R$ 483 milhões e os resultados do quarto trimestre de 2025.
“A estratégia se baseia na elevada demanda por moradias de baixa renda no Nordeste, oferta limitada e competição reduzida de empresas menores”, apontam os analistas Gustavo Cambauva, Gustavo Fabris e Luis Mollo. O banco projeta alavancagem inferior a 15% de dívida líquida sobre patrimônio, com estimativas elevadas em 18%.
Mesmo após alta de 152% em 12 meses e 12% no acumulado de 2026, o Bradesco BBI vê valuation atrativo: “a ação negocia a cerca de 5,3 vezes o P/L para 2026 e 1,1 vez o P/VP, mantendo a MDNE3 como uma das nossas escolhas preferidas no setor.”
O banco está 13% acima do consenso para o lucro de 2026 — sinal de que a história, na visão dos analistas, ainda está longe do fim.






