O BTG Pactual (BPAC11) avaliou que o Méliuz (CASH3) apresentou resultados fracos no segundo trimestre de 2026. A receita superou a projeção do banco, mas o aumento das despesas com cashback pressionou as margens e derrubou o Ebitda.
Em contrapartida, o anúncio de um novo programa de recompra de até 10% das ações em circulação ajudou a amenizar a leitura negativa. O BTG manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 6,50, que representa potencial de valorização de 41,6% frente aos R$ 4,59 utilizados como referência no relatório.
A receita líquida consolidada alcançou R$ 115,7 milhões, alta anual de 18% e resultado 4% superior à estimativa da casa. O Ebitda ajustado, entretanto, somou R$ 17,3 milhões, ficando 32% abaixo do esperado e recuando 42% frente ao primeiro trimestre.
“O segundo trimestre costuma ser o período mais fraco do ano para a receita, mas o que decepcionou foram as margens e a taxa líquida de monetização. O aumento das despesas com cashback levou o Ebitda ajustado a ficar aproximadamente 30% abaixo de nossa projeção”, afirmam os analistas Ricardo Buchpiguel, Eduardo Rosman e Antonio Pascale.
Cashback pressiona margem do Méliuz
As despesas com cashback atingiram R$ 59,2 milhões, valor 40% superior aos R$ 42 milhões projetados pelo BTG. A linha cresceu 30% na comparação trimestral e passou a representar aproximadamente 51% da receita líquida, diante de 39% no 1T26.
Com isso, a receita após o pagamento do cashback ficou em cerca de R$ 56,5 milhões. O montante avançou 12% frente ao 2T25, mas caiu 22% na comparação trimestral e ficou 18% abaixo da previsão do banco.
O Shopping Brasil permaneceu como o principal vetor de crescimento. A receita da divisão aumentou 32%, para R$ 92,6 milhões, e respondeu por 80% do total consolidado. As operações além do comércio eletrônico mais que dobraram, alcançando R$ 19,6 milhões.
A base de usuários cresceu 26%, para 54,1 milhões de contas, mas o volume bruto de mercadorias, ou GMV, permaneceu praticamente estável em R$ 1,27 bilhão. A taxa líquida de monetização recuou para 2%, uma redução de 0,2 ponto percentual em um ano e de 0,4 ponto frente ao trimestre anterior.
“O Shopping Brasil continua apresentando forte crescimento da receita, e os negócios além do comércio eletrônico mais que dobraram em um ano. A redução da taxa líquida, acompanhada de um crescimento ainda limitado do GMV, contudo, permanece como um ponto de atenção”, avaliam os analistas.
O lucro líquido ajustado atingiu R$ 9,7 milhões, ficando 38% abaixo da estimativa do BTG. No resultado reportado, a Méliuz apresentou prejuízo de R$ 22 milhões, provocado por uma baixa contábil de R$ 32 milhões relacionada à desvalorização do bitcoin.
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Recompra e valuation sustentam recomendação
Junto com o balanço, a Méliuz informou o cancelamento de 9,13 milhões de ações adquiridas no primeiro programa de recompra por R$ 37,2 milhões. A operação reduziu em 8,1% o número de papéis emitidos pela companhia.
O conselho autorizou uma nova recompra de até 8,11 milhões de ações, equivalentes a 10% dos papéis atualmente em circulação no mercado. O programa terá duração de 18 meses, até fevereiro de 2028.
“Vemos os anúncios de maneira mista. O resultado operacional foi claramente mais fraco do que esperávamos, mas a nova recompra reforça a avaliação da administração de que as ações estão subavaliadas e deverá oferecer suporte aos papéis”, explicam Buchpiguel, Rosman e Pascale.
A companhia também ampliou sua política de tesouraria, permitindo que caixa, bitcoin e instrumentos financeiros relacionados sejam administrados como um conjunto integrado de ativos líquidos. Os recursos poderão financiar recompras, otimizar a estrutura de capital ou ampliar a exposição ao bitcoin, sem o uso de alavancagem.
Para o BTG, o segundo semestre deverá apresentar bases de comparação mais difíceis, principalmente nas receitas geradas fora do comércio eletrônico. Ainda assim, a casa considera que um trimestre fraco não altera a tendência positiva observada no último ano.






