A MBRF (MBRF3) deve apresentar resultados sólidos no segundo trimestre de 2026, apoiados pela sazonalidade e pelo desempenho das exportações. Para a XP, a baixa visibilidade para o médio prazo e a alavancagem da companhia, entretanto, ainda exigem cautela.
“Esperamos que a MBRF reporte um trimestre sólido, sustentado tanto pela sazonalidade quanto por uma dinâmica de exportações mais favorável em relação ao ano passado”, afirmam os analistas Leonardo Alencar e Leonardo Paiva.
No mercado, as ações da companhia recuavam 2,37% por volta das 11h56 desta sexta-feira (24), cotadas a R$ 15,22.
XP projeta receita de R$ 40,6 bilhões
A XP estima que a MBRF registre receita líquida de R$ 40,6 bilhões no 2T26, crescimento de 7% na comparação anual e de 3% frente ao trimestre anterior.
O Ebitda ajustado deve alcançar R$ 3,1 bilhões, avanço de 4% nas duas bases de comparação. A margem Ebitda é projetada em 7,7%, praticamente estável em relação ao primeiro trimestre e 0,25 ponto percentual abaixo do 2T25.
Para o lucro líquido, a projeção é de R$ 130 milhões, queda de 55% em um ano, mas com reversão do prejuízo de R$ 170 milhões registrado no 1T26.
Na National Beef, a corretora espera uma recuperação moderada da margem, de 0,3% para 0,6%, favorecida pela sazonalidade e pela melhora operacional.
A BRF deve registrar margem de 16,2%, praticamente estável na comparação trimestral. O ambiente favorável às exportações e a rentabilidade da Sadia Halal devem compensar parcialmente a pressão sobre suínos e a normalização das margens de frango.
Na América do Sul, exportações mais fortes devem sustentar os preços e o crescimento da receita, enquanto o encarecimento do gado tende a limitar a rentabilidade.
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Alavancagem mantém cautela para o médio prazo
Mesmo com a expectativa de um trimestre positivo, a XP ressalta que as perspectivas para o segundo semestre permanecem pouco claras, principalmente na National Beef, diante das incertezas relacionadas à oferta e à demanda.
“Apesar dos resultados positivos, a baixa visibilidade para os resultados continua sendo um fator de preocupação, especialmente considerando o nível atual de alavancagem”, explicam os analistas.
A XP reforça que ainda vê espaço para revisões positivas de estimativas tanto para a BRF quanto para a National Beef no 2S26, embora acreditem que o mercado ainda esteja longe de incorporar esse cenário.
A volatilidade das ações também dificulta uma avaliação concentrada nos fundamentos. Segundo a corretora, essa oscilação é ampliada pela pressão das posições vendidas diante da atuação do controlador da companhia.






