A desaceleração do varejo farmacêutico brasileiro em agosto não deve impedir a Raia Drogasil de continuar ampliando sua participação no mercado. Essa é a leitura do Bradesco BBI em relatório sobre o setor, que aponta a RD Saúde (RADL3) como a principal escolha entre as companhias analisadas.
Dados do Sindusfarma, com base no preço de compra das farmácias monitorado pela IQVIA, mostraram crescimento de 5,9% do mercado farmacêutico brasileiro em agosto, na comparação anual. O resultado ficou abaixo da alta de 9,5% registrada em julho.
No acumulado do terceiro trimestre de 2026 até agosto, as vendas do setor cresceram 7,7%, ante expansão de 9,5% no segundo trimestre. A desaceleração de 1,8 ponto percentual foi explicada principalmente pelo menor ritmo dos medicamentos genéricos, cuja expansão perdeu 2,8 pontos percentuais, e dos medicamentos de marca e referência, com redução de 1,6 ponto.
Segundo o BBI, os medicamentos GLP-1 continuam exercendo papel relevante nos resultados do setor. Excluindo essa categoria, o banco estima crescimento próximo de 5,5% do mercado no terceiro trimestre até agosto.
Para as redes de farmácias listadas em Bolsa, a leitura do banco é ligeiramente negativa, diante da confirmação de uma desaceleração mais ampla do mercado. O movimento, contudo, já estaria parcialmente incorporado às estimativas do BBI.
Para o terceiro trimestre, o banco projeta desaceleração de 2,6 pontos percentuais para a RD Saúde, de 1,2 ponto para a Pague Menos (PGMN3) e de apenas 0,2 ponto para a Panvel (PNVL3), em comparação com a redução de 1,8 ponto indicada pelos dados setoriais até agosto.
RD Saúde em destaque
O Bradesco BBI ressalta, porém, que os dados da IQVIA não funcionam historicamente como uma referência direta para o desempenho das companhias listadas. No segundo trimestre, por exemplo, o indicador setorial apontou desaceleração de aproximadamente 4 pontos percentuais, enquanto o crescimento da Raia Drogasil perdeu apenas 2 pontos.
Diferenças no mix de produtos, participação regional, maturação das lojas, categorias não medicamentosas e ganhos de participação de mercado podem explicar parte dessa divergência entre o desempenho do setor e o das empresas.
Nesse cenário, o BBI avalia que a RD Saúde está bem posicionada para continuar ganhando participação, apoiada pela escala da companhia, expansão da rede de lojas, presença digital e execução operacional.
O banco mantém uma visão positiva para o varejo farmacêutico, citando modelos de negócio defensivos, crescimento ainda resiliente e valuations considerados atrativos. A RD Saúde permanece como a principal escolha do BBI no setor, negociada a 16,3 vezes o lucro projetado para 2027.
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