As ações do Nubank (NU; ROXO34) recuavam cerca de 8% nesta segunda-feira (28) na Bolsa de Nova York, pressionadas pelas notícias de que a Nu Holdings, controladora da instituição, mantém conversas preliminares para uma possível aquisição do banco digital britânico Monzo. Os papéis chegaram a cair cerca de 9% durante o pregão.
As conversas foram reveladas pelo jornal britânico Sky News no sábado (26). Segundo a publicação, o Monzo poderia ser avaliado entre 8 bilhões e 10 bilhões de libras – aproximadamente algo entre 10,61 bilhões de dólares a 13,26 bilhões de dólares – em uma eventual transação. As negociações ainda estariam em fase inicial e não há, até o momento, acordo anunciado, definição de preço, estrutura de pagamento, governança ou prazo para uma operação.
O Nubank afirmou que não comenta rumores ou especulações. O Monzo também não se pronunciou sobre uma eventual venda.
Em relatório divulgado após as notícias, o banco Safra classificou a possível operação como inicialmente negativa para as ações da Nu Holdings. A avaliação, porém, não está relacionada à qualidade do negócio do Monzo, mas principalmente à forma como uma eventual aquisição poderia afetar a alocação de capital da companhia.
Segundo o Safra, a faixa de 8 bilhões a 10 bilhões de libras representaria aproximadamente 16% a 20% do valor de mercado atual da Nu Holdings. O banco calcula que, nesse intervalo, o Monzo seria avaliado entre 6,2 e 7,8 vezes o valor contábil estimado para 2026 e entre 6,6 e 8,3 vezes o lucro bruto projetado para 2027.
O relatório compara esses múltiplos com a relação de aproximadamente seis vezes pela qual a própria Nu Holdings estaria sendo negociada. Para o Safra, uma transação nesses valores significaria que os acionistas do Nubank estariam antecipando recursos para financiar uma rentabilidade que ainda dependeria do desempenho futuro do Monzo.
Expansão para o Reino Unido?
A possível aquisição daria ao Nubank uma entrada imediata no mercado britânico e uma plataforma bancária já estabelecida. O Monzo também possui operações na Irlanda, o que poderia ampliar a presença da companhia brasileira na Europa.
Segundo dados citados pelo Safra, o Monzo tinha 15,2 milhões de clientes e 10,4 milhões de usuários ativos mensais no ano fiscal de 2026. A empresa registrou crescimento de 39% na receita e de 35% no lucro bruto no período. Os depósitos aumentaram 55%, chegando a 25,7 bilhões de libras.
O banco britânico também possui operações voltadas a clientes empresariais e uma marca consolidada no mercado local. Para o Safra, esses ativos poderiam acelerar a entrada do Nubank no Reino Unido, enquanto a companhia brasileira poderia contribuir com capacidades de análise de crédito, venda cruzada de produtos, uso de dados e disciplina operacional.
A ampliação da oferta de crédito, por outro lado, poderia exigir mais capital e aumentar a exposição a riscos de crédito, segundo a análise.
Momento da possível aquisição
O Safra também chama atenção para o momento em que uma eventual operação ocorreria. O Brasil continua sendo o principal mercado e motor de resultados do Nubank, enquanto o ciclo de crédito no país apresenta sinais de deterioração, segundo a análise do banco.
O relatório também cita possíveis medidas macroprudenciais para conter o endividamento das famílias brasileiras. Ao mesmo tempo, as operações internacionais do Nubank ainda estão em diferentes estágios de desenvolvimento.
Para o Safra, o desempenho da companhia no México e a evolução da operação nos Estados Unidos são pontos que merecem acompanhamento antes de uma eventual expansão para outro continente.
A possível transação, portanto, representaria uma mudança relevante na estratégia de expansão internacional do Nubank. Até o momento, contudo, as negociações com o Monzo permanecem preliminares e não há confirmação de que resultarão em uma aquisição.
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