A Alupar (ALUP11) segue como a principal preferência da EQI Research no setor de transmissão de energia. Na atualização da carteira Mais Dividendos com Ações, os analistas João Zanott, CNPI, João Neves, CNPI, e Nícolas Merola, CNPI, mantiveram a composição do portfólio inalterada e reforçaram a tese de investimento na companhia, que representa 10% da carteira.
A avaliação considera a capacidade das transmissoras de manter receitas previsíveis mesmo em cenários econômicos adversos. O modelo de negócios do setor é baseado em concessões de longo prazo, com receitas indexadas à inflação e remuneração vinculada à disponibilidade das linhas de transmissão, independentemente do volume de energia transportado.
“As características do setor de transmissão de energia favorecem a previsibilidade da geração de caixa e a distribuição de dividendos, atributos alinhados à estratégia da carteira Mais Dividendos com Ações”, resume a tese de investimento apresentada pela EQI Research.
Conhecidas no mercado como a “renda fixa da bolsa”, as transmissoras atraem investidores interessados em empresas com receitas relativamente estáveis e capacidade de remunerar os acionistas ao longo do tempo.
Alupar se destaca pela disciplina na alocação de capital
Na avaliação da EQI Research, a Alupar apresenta a combinação mais atrativa entre crescimento, rentabilidade e distribuição de dividendos dentro do setor analisado. Um dos principais diferenciais é a disciplina na alocação de capital, demonstrada pela seletividade na participação em leilões e na escolha de novos projetos.
“Mais do que apresentar um dividend yield elevado no curto prazo, buscamos empresas capazes de reinvestir seus resultados em projetos com retornos atrativos, criando valor para os acionistas ao longo do tempo”, é a síntese da estratégia descrita pelos analistas.
A expansão da companhia está concentrada, em parte, em mercados latino-americanos, como Peru, Chile e Colômbia. Diante da maior competitividade dos leilões brasileiros, a empresa direcionou investimentos para outros países, onde identificou oportunidades com perspectivas de rentabilidade mais favoráveis.
A estratégia também contribui para diversificar as fontes de receita. Segundo as projeções da EQI Research, cerca de 20% da receita líquida da Alupar deverá ser dolarizada até 2030, considerando a conclusão dos projetos atualmente em construção.
Alavancagem deve aumentar antes de entrar em trajetória de queda
O ciclo de investimentos deve elevar moderadamente a alavancagem da Alupar nos próximos anos, à medida que a companhia financia sua expansão e mantém a distribuição de dividendos.
A expectativa da EQI Research é de que o movimento seja temporário, com o início de uma trajetória de redução do endividamento a partir de 2029 ou 2030, quando os projetos em desenvolvimento deverão contribuir de forma mais significativa para a geração de caixa.
“A execução dos projetos e a conversão dos investimentos em geração de caixa serão determinantes para sustentar o crescimento da companhia e a remuneração dos acionistas”, destacam os analistas.
Dividend yield menor, mas com perspectiva de crescimento
Apesar de apresentar dividend yield inferior no curto prazo em relação a outras transmissoras, a Alupar poderá registrar o maior crescimento dos dividendos pagos entre as empresas analisadas, segundo as projeções da EQI Research.
Essa perspectiva considera a entrada em operação dos empreendimentos em desenvolvimento e a contribuição dos novos ativos para a geração de caixa. A projeção também pressupõe que a companhia não inicie um novo ciclo relevante de expansão a partir de 2030.
Para os analistas, a avaliação de uma ação voltada à geração de renda não deve se limitar ao histórico de dividendos. O potencial de valorização, o preço de negociação e a relação entre risco e retorno também precisam ser considerados.
“O dividend yield passado, isoladamente, não é suficiente para determinar a atratividade de uma ação. É necessário avaliar também o potencial de crescimento dos dividendos e o retorno total que o investimento pode proporcionar”, sintetiza a abordagem adotada na carteira.
Mesmo após uma valorização de aproximadamente 18% desde a última atualização mensal, a EQI Research considera que a Alupar continua negociada a uma taxa interna de retorno (TIR) atrativa. O material original, entretanto, não apresenta o valor completo da estimativa, informado apenas como um retorno acima da inflação.
Carteira supera Ibovespa e IDIV no período
A carteira EQI Dividendos registrou valorização de 13,30% no mês analisado, superando o Ibovespa, que avançou 12,92%, e o Índice de Dividendos (IDIV), cuja alta foi de 11,56%.
O IDIV é o benchmark da estratégia de dividendos da EQI. O índice reúne empresas selecionadas com base em critérios relacionados à distribuição de proventos, oferecendo uma referência mais alinhada ao objetivo do portfólio do que o Ibovespa, utilizado como parâmetro complementar.
Segundo a análise da EQI Research, o desempenho do mercado também foi influenciado pelo cenário eleitoral. Após o primeiro turno, o recuo das taxas de juros de longo prazo favoreceu a bolsa brasileira, especialmente empresas mais expostas à economia doméstica e aquelas cujos fluxos de caixa são mais sensíveis às variações dos juros.
Por outro lado, companhias com receitas dolarizadas e exposição a commodities tiveram desempenho negativo, refletindo, entre outros fatores, a valorização do real.
Utilidades públicas lideram a exposição setorial
A carteira mantém sua maior exposição em utilidades públicas, com 30% do portfólio. O setor financeiro representa 20%, enquanto energia e materiais básicos respondem por 15% cada.
Saúde corresponde a 10% da carteira, e os setores imobiliário e de varejo possuem participações de 5% cada.
A composição segue a proposta da estratégia Mais Dividendos com Ações, que busca reunir empresas de qualidade, resilientes e com capacidade consistente de gerar valor e remunerar os acionistas.
Ao manter a Alupar entre suas principais posições, a EQI Research reforça uma estratégia que combina previsibilidade de receitas com potencial de crescimento. Para o investidor, os principais pontos de acompanhamento são a execução dos projetos internacionais, a evolução da alavancagem e a capacidade de transformar os investimentos em geração de caixa e dividendos crescentes.






