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Balanço da Vale: recomendação é neutra após dados do 3T26

Balanço da Vale: recomendação é neutra após dados do 3T26

Em relatório, a Ativa Investimentos manteve recomendação neutra para as ações da mineradora

O balanço da Vale (VALE3) no terceiro trimestre de 2026 (3T26) foi marcado pela pressão dos preços mais baixos do minério de ferro, que afetou o resultado operacional da companhia, apesar da contribuição positiva da divisão de Metais Básicos, especialmente do cobre. Em relatório, a Ativa Investimentos manteve recomendação neutra para as ações da mineradora, com preço-alvo de R$ 92.

O Ebitda pro forma somou US$ 3,5 bilhões no trimestre, queda de 20% em relação ao mesmo período de 2025 e de 14% frente ao segundo trimestre de 2026. O indicador ficou 1% abaixo da estimativa da Ativa. Segundo a corretora, o principal fator de pressão foi a redução do preço realizado dos finos de minério de ferro, que recuou 10% na comparação trimestral, para US$ 85,10 por tonelada. A queda refletiu uma referência de preços mais baixa e ajustes negativos nas vendas na modalidade CFR ainda em trânsito.

A receita líquida, por sua vez, alcançou US$ 10,6 bilhões, alta de 2% na comparação anual e de 1% frente ao trimestre anterior. O aumento do volume de finos vendidos, de 8% na comparação trimestral, e os preços mais elevados do cobre ajudaram a compensar a desvalorização do minério de ferro.

Pelo lado dos custos, o desempenho foi melhor do que o esperado. O custo caixa C1 ficou em US$ 23,10 por tonelada, recuo de 4% em relação ao trimestre anterior e dentro da faixa de projeção da companhia, entre US$ 22,50 e US$ 23,50 por tonelada. No entanto, o frete de US$ 22,80 por tonelada elevou o custo all-in para US$ 60,40 por tonelada, alta de 21% em relação ao 3T25.

Cobre sustenta divisão de metais básicos

A divisão de Metais Básicos foi um dos destaques positivos do balanço. O Ebitda da área atingiu US$ 1,1 bilhão, crescimento de 61% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho foi impulsionado pelo preço realizado do cobre, de US$ 15.314 por tonelada, que contribuiu para um custo all-in negativo de US$ 175 por tonelada.

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O níquel, por outro lado, apresentou resultado mais fraco. O Ebitda da operação somou US$ 98 milhões, pressionado por paradas para manutenção. O custo all-in alcançou US$ 14.552 por tonelada.

Na comparação anual, a Ativa identificou impactos negativos de US$ 673 milhões relacionados aos preços do minério de ferro, de US$ 532 milhões em custos e despesas, de US$ 275 milhões em fretes e de US$ 119 milhões decorrentes do câmbio. Esses efeitos foram parcialmente compensados pela contribuição positiva de US$ 680 milhões dos preços de Metais Básicos.

Lucro fica abaixo das estimativas

O lucro líquido atribuível aos acionistas foi de US$ 1,255 bilhão, queda de 53% em relação ao terceiro trimestre de 2025. O resultado ficou 12% abaixo da estimativa da Ativa e 15% aquém do consenso de mercado.

Entre os fatores que pressionaram o lucro na comparação anual, a corretora destacou a revisão da provisão relacionada à Samarco, com impacto negativo de US$ 322 milhões, e os efeitos cambiais sobre prejuízos fiscais, que representaram impacto negativo de US$ 276 milhões. Esses efeitos foram parcialmente compensados por uma variação positiva de US$ 610 milhões na marcação a mercado de derivativos, no resultado financeiro.

O fluxo de caixa livre alcançou US$ 2,2 bilhões, dos quais US$ 1,4 bilhão recorrente. Ao fim do trimestre, a dívida líquida expandida chegou a US$ 16,4 bilhões.

Na avaliação da Ativa, embora o controle de custos e o desempenho do cobre tenham ajudado a amortecer a pressão sobre os resultados, o minério de ferro continua sendo um fator relevante de risco para o desempenho da companhia. Por isso, a instituição mantém postura neutra em relação às ações da Vale, com preço-alvo de R$ 92.

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