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Embraer ganha tempo para escolher o próximo ciclo de investimentos; entenda

Embraer ganha tempo para escolher o próximo ciclo de investimentos; entenda

O principal sinal observado pelo relatório é o adiamento de uma nova geração de grandes aeronaves

A próxima grande onda de investimentos da indústria aeroespacial pode estar mais distante do que se imaginava — e, para a Embraer (EMBJ3), isso pode ser uma vantagem. Essa é uma das principais conclusões de relatório da XP após a participação no Farnborough Airshow, na Inglaterra, que reuniu fabricantes, fornecedores e empresas de tecnologia do setor.

Para a XP, a discussão na indústria deixou de ser se haverá um novo ciclo de investimentos, mas passou a ser quais tecnologias, plataformas e empresas estarão em condições de liderá-lo. Nesse cenário, a Embraer aparece bem posicionada, levando a casa de análise a reiterar sua recomendação de Compra para as ações da companhia.

O principal sinal observado pelo relatório é o adiamento de uma nova geração de grandes aeronaves. Airbus, Boeing e Embraer estudam novas plataformas, mas nenhuma parece disposta, neste momento, a assumir um programa de grande escala totalmente novo. O desenvolvimento de tecnologias consideradas críticas ainda está em maturação, empurrando novos projetos relevantes cada vez mais para depois da metade da década de 2030.

A atenção, segundo o relatório, está concentrada principalmente em novas tecnologias de propulsão, como o Open Fan, da CFM, e o UltraFan, da Rolls-Royce. A Airbus parece estar mais avançada nas discussões sobre conceitos para futuras aeronaves, enquanto a Boeing continua concentrada na recuperação operacional e industrial. A avaliação da XP é que a execução de programas existentes deve continuar sendo prioridade antes de um novo salto tecnológico.

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Gargalos podem ser tão decisivos quanto a inovação

Outro ponto que ganhou força durante o evento foi a cadeia de suprimentos. Embora os problemas mais agudos provocados pela pandemia tenham diminuído, a XP avalia que as restrições do setor são estruturais, e não apenas conjunturais.

A indústria depende de um número limitado de fornecedores qualificados, além de componentes sujeitos a certificações específicas e tecnologias proprietárias. Isso dificulta a substituição de fornecedores e faz com que gargalos continuem sendo recorrentes.

Entre os principais pontos de restrição estão motores, componentes eletrônicos, peças forjadas e mão de obra qualificada.

Para a XP, isso muda também o peso relativo de fatores que determinam o sucesso de uma fabricante. Execução industrial, certificação e capacidade de administrar a cadeia de suprimentos passam a ser tão importantes quanto a inovação do produto em si.

Diferentes mercados, diferentes ciclos

O setor também não deve avançar de maneira uniforme. Os gastos com defesa estão acelerando, enquanto a aviação executiva continua favorecida pela criação de riqueza e pelo crescimento dos modelos de propriedade fracionada. Já a aviação regional parece entrar em um ciclo plurianual de renovação de frotas.

Ao mesmo tempo, a mobilidade aérea urbana avança em direção à certificação, enquanto diferentes tecnologias disputam espaço na busca pela descarbonização da aviação. Entre elas estão o combustível sustentável de aviação (SAF), aeronaves elétricas e outras alternativas de propulsão.

É justamente essa diversidade de ciclos que, na avaliação da XP, favorece a posição atual da Embraer.