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Lojas Renner (LREN3): dividend yield de 10% em 2027 é a âncora da ação

Lojas Renner (LREN3): dividend yield de 10% em 2027 é a âncora da ação

Com as estimativas de lucro do mercado, a tese da Lojas Renner passa a girar em torno do quanto a empresa vai pagar aos acionistas

O dividend yield é considerado o principal argumento de investimento nas ações da Lojas Renner (LREN3). No ponto médio da meta de payout de 50% a 80%, o Itaú BBA enxerga um retorno de cerca de 10% em dividendos em 2027, o que oferece alguma proteção contra quedas. O detalhe é que o apelo da ação depende da disposição da gestão em distribuir caixa, em vez de priorizar a preservação de recursos num ambiente mais difícil. O pano de fundo é um terceiro trimestre de 2026 (3T26) acima do esperado, mas de qualidade inferior, e a retirada das metas de crescimento de receita do varejo.

Com as estimativas de lucro do mercado, a tese da Lojas Renner passa a girar em torno do quanto a empresa vai pagar aos acionistas. As expectativas para o lucro líquido de 2027 estão convergindo para a faixa de R$ 1,35 bilhão a R$ 1,40 bilhão, e o Itaú BBA vê pouco espaço para revisões positivas, já que novos cortes nas projeções de receita seguem como risco. Por isso, segundo o banco, a direção e a magnitude das revisões de lucro ainda terão mais peso na avaliação da ação do que o dividendo.

Resultado de menor qualidade

O Ebitda consolidado foi de R$ 334 milhões, queda de 14% em um ano, mas 10% acima da projeção do banco. O lucro líquido somou R$ 170 milhões, recuo de 26% sobre o 3T25 e 10% acima do estimado. As vendas em mesmas lojas (SSS) caíram 2,5%, pior que o consenso, que previa queda de 1% a 2%. A margem bruta do varejo superou a estimativa em 40 pontos-base, e as despesas ficaram 80 pontos-base melhores que o esperado. A Realize, braço financeiro da companhia, teve Ebitda de cerca de R$ 40 milhões, acima dos R$ 30 milhões projetados.

O ponto central é a participação nos lucros: a despesa caiu para R$ 8 milhões, queda de 77% em um ano e R$ 28 milhões abaixo da estimativa, o que explica praticamente todo o ganho no Ebitda. Com resultados mais fracos, a empresa reduziu de forma agressiva as provisões, de cerca de R$ 40 milhões a R$ 45 milhões por trimestre para R$ 8 milhões. Sem esse efeito, o Ebitda do varejo ficaria em linha com a projeção do banco e levemente abaixo do consenso.

Metas de receita são retiradas

A Lojas Renner também retirou todas as metas de crescimento da receita do varejo apresentadas no Investor Day, há onze meses. Depois de já ter reduzido a perspectiva no trimestre anterior, a gestão eliminou os alvos para 2026 e para o período de 2027 a 2030, citando cenário macroeconômico desafiador e concorrência mais forte que o previsto, em especial a de varejistas internacionais (cross-border). Para o Itaú BBA, a decisão turva a visão sobre os lucros e levanta dúvidas sobre as demais metas. Sem visibilidade sobre as vendas, fica mais difícil contar com alavancagem operacional.

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A geração de caixa caiu 5% em um ano, para R$ 430 milhões, cerca de R$ 200 milhões abaixo da projeção, porque os estoques absorveram mais caixa. Os dias de estoque subiram 7 em relação ao 3T25, 4 a mais que o previsto, enquanto os dias de contas a pagar melhoraram 8 e os de contas a receber, 1. O ciclo de conversão de caixa melhorou 3 dias na comparação anual, mas ficou 4 dias aquém da estimativa. A administração vê espaço para melhorar os estoques no quarto trimestre, e a entrega passa a ser o ponto-chave.

As vendas em mesmas lojas ficaram cerca de 2 pontos percentuais abaixo da projeção do Itaú BBA, deixando a receita do varejo cerca de 2% abaixo do previsto. O banco avalia que a piora do cenário macroeconômico deve manter o crescimento do setor de vestuário pressionado nos próximos trimestres, com a concorrência do cross-border pesando nas bases de comparação até maio de 2027.

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