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Eztec (EZTC3): analistas veem resultado abaixo do esperado no 3T26

Eztec (EZTC3): analistas veem resultado abaixo do esperado no 3T26

Os juros longos subiram com força nas últimas semanas e os bancos já elevam as taxas de financiamento imobiliário

A Eztec (EZTC3) divulgou um terceiro trimestre de 2026 (3T26) abaixo do esperado, e o BTG Pactual (BPAC11) e o Itaú BBA chegaram ao mesmo diagnóstico. O lucro líquido foi de R$ 85 milhões, queda de 53% em um ano e 35% abaixo da projeção do BTG, com retorno sobre o patrimônio (ROE) anualizado de apenas 6,5%. O Itaú BBA também viu um resultado fraco “de cima a baixo”, com lucro por ação 22% abaixo de suas estimativas. O pano de fundo preocupa: segundo o Itaú BBA, os juros longos subiram com força nas últimas semanas e os bancos já elevam as taxas de financiamento imobiliário, o que pode pesar sobre a demanda por imóveis de média e alta renda.

A receita líquida somou R$ 346 milhões, recuo de 26% na comparação anual. O número ficou 13% abaixo da estimativa do BTG e 10% abaixo da projeção do Itaú BBA. O lucro bruto ajustado foi de R$ 128 milhões, queda de 42% em um ano. A margem bruta de 36,8% recuou 10 pontos percentuais frente ao 3T25 e ficou 3,8 pontos percentuais abaixo do previsto pelo BTG. Na comparação com o 2T26, o Itaú BBA aponta queda de 600 pontos-base, 260 pontos-base pior que sua projeção.

O trimestre teve eventos não recorrentes que praticamente se compensaram: ganho de R$ 72 milhões com a venda de uma SPE (sociedade de propósito específico), perda de R$ 50 milhões pelo cancelamento da compra de um terreno e R$ 17 milhões em impostos diferidos. No saldo, o resultado foi definido pela receita e pelas margens mais fracas.

Queima de caixa e dívida quase zero

A Eztec queimou R$ 28 milhões em caixa no trimestre, um pouco menos que os R$ 50 milhões estimados pelo BTG, principalmente porque não houve entregas de empreendimentos no período. A dívida líquida fechou o 3T26 em R$ 53 milhões, apenas 1% do patrimônio líquido. A companhia também tem uma carteira de R$ 800 milhões em financiamentos concedidos diretamente a clientes.

Para o Itaú BBA, o ambiente macroeconômico mudou de forma drástica em pouco tempo. Com a alta dos juros longos e dos financiamentos, o banco ficou novamente mais cauteloso com a demanda por moradias de média e alta renda, em um cenário de acessibilidade já pressionada e estoques ainda elevados em São Paulo. O BTG compartilha a leitura e planeja revisar em breve suas estimativas para a Eztec, incorporando bancos elevando taxas de financiamento e estoques maiores. Também espera uma reação negativa do mercado no pregão seguinte ao balanço.

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Os dois bancos destacam o desconto das ações, negociadas a 0,5 vez o valor patrimonial tangível (P/TBV). O BTG mantém recomendação de compra para a Eztec, com as ações a 4 vezes o lucro projetado para 2027 (P/L). O Itaú BBA lembra que a companhia é dona do Esther Towers, recentemente alugado ao Itaú em contrato de longo prazo e que poderia ser vendido no futuro. A locação também deve entrar na revisão de estimativas do BTG.

O Itaú BBA pondera, porém, que o cenário mais difícil pode fazer a Eztec demorar mais para vender o ativo nas condições desejadas e para recuperar o ROE, hoje em nível deprimido.

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