A Suzano (SUZB3) reportou um terceiro trimestre de 2026 (3T26) de sentimentos mistos, segundo a Ativa Investimentos. O Ebitda ajustado de R$ 5,7 bilhões ficou 9,6% abaixo da prévia da corretora e 3,7% abaixo do consenso Bloomberg. Já o lucro líquido, de R$ 2,084 bilhões, superou a estimativa em 64%, mas por um motivo contábil: o resultado financeiro positivo, sustentado por derivativos. A Ativa mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 62, potencial de alta de 18,6%.
O resultado financeiro da Suzano foi positivo em R$ 1,146 bilhão, contra R$ 1,2 bilhão negativo na projeção da Ativa. A diferença vem de R$ 2,1 bilhões em marcação a mercado de derivativos, sem efeito no caixa. Excluindo esse efeito após o Imposto de Renda, a corretora estima que o lucro ficaria em cerca de R$ 0,7 bilhão, abaixo dos R$ 1,27 bilhão previstos na prévia.
O trimestre foi o primeiro com a Arbex consolidada e com Bens de Consumo como segmento próprio. Isso levou a receita a R$ 16,516 bilhões, alta de 42% sobre o 2T26 e de 36% sobre o 3T25. O Ebitda ajustado, de R$ 5,674 bilhões, cresceu 21% na comparação trimestral, mas a margem caiu para 34%, ante 41% no 2T26. Ficou R$ 605 milhões abaixo dos R$ 6,279 bilhões projetados.
Segundo a Ativa, o custo caixa sem paradas, de R$ 825 por tonelada, ficou R$ 47/t acima do esperado. As eliminações entre segmentos, que não estavam no modelo da corretora, tiraram R$ 0,2 bilhão, e o SG&A e outros itens, mais R$ 0,3 bilhão.
Celulose: volume e preço em linha, custo acima
O Ebitda da celulose foi de R$ 4,805 bilhões, alta de 12% sobre o trimestre anterior e de 5% em um ano, ou R$ 1.506 por tonelada. O volume de 3,19 milhões de toneladas subiu 8% no trimestre, com a Ásia absorvendo a maior parte do ganho, praticamente igual ao projetado. O preço líquido no mercado externo, de US$ 591/t, recuou 2% sobre o 2T26 e subiu 13% em um ano, também em linha com a estimativa. O câmbio médio de R$ 5,14 ajudou em 2% na comparação trimestral.
O custo caixa sem paradas caiu 2% no trimestre, mas ficou 6% acima dos R$ 778/t esperados. Consumo de insumos e custo fixo melhoraram após as paradas do 2T26, mas dióxido de cloro, ácido sulfúrico e gás natural seguiram subindo com o Brent, e a madeira ficou mais cara por causa da colheita e do diesel. Com o efeito das paradas, o custo total foi de R$ 855/t, ante R$ 972/t no 2T26.
A Suzano elevou o guidance de custo caixa para 2026, de R$ 800/t para cerca de R$ 825/t, considerando câmbio médio de R$ 5,20 e Brent a US$ 94 o barril. Como o 3T26 já rodou nesse nível, a Ativa vê a meta como atingível, mas ela eleva em 3% a base de custo que a corretora usava para o ano.
No primeiro trimestre como segmento próprio, Bens de Consumo teve receita de R$ 5,018 bilhões, dos quais R$ 4,2 bilhões no mercado externo, com 299 mil toneladas vendidas. O Ebitda foi de R$ 803 milhões (R$ 2.687/t), com margem de 16%. A Arbex respondeu por R$ 694 milhões, 2% acima da conta da Ativa, e a operação de tissue no Brasil somou R$ 109 milhões, alta de 18% sobre o 2T26, com mais volume e menor custo caixa por tonelada.
O ponto em que a corretora errou foi a eliminação de receitas entre segmentos, que subiu de R$ 170 milhões no 2T26 para R$ 613 milhões, dos quais R$ 424 milhões em vendas ao exterior, linha que não existia antes da Arbex. Somado aos itens não segmentados, o efeito no Ebitda consolidado foi de R$ 211 milhões.
Papel e Embalagem perde fôlego
O segmento de Papel e Embalagem teve Ebitda de R$ 277 milhões, queda de 14% no trimestre e de 48% em um ano, ou R$ 740/t. O volume de 374 mil toneladas cresceu 10% sobre o 2T26, e o preço médio de R$ 6.610/t subiu 3% em um ano, mas o SG&A maior absorveu o ganho. Na comparação anual, a queda reflete o custo mais alto nas fábricas da Suzano Packaging US, que o reajuste de preço não cobriu.
A dívida líquida da Suzano chegou a US$ 14,7 bilhões, equivalente a 3,7 vezes o Ebitda (3,4 vezes pro forma), acima da meta da companhia de US$ 14 bilhões para o fim do ano. A alta reflete a consolidação da Arbex. Diante do quadro, a Ativa mantém a recomendação neutra para a Suzano.
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