O Assaí (ASAI3) divulgou um balanço do terceiro trimestre de 2026 (3T26) em linha com o esperado, mas o dado que mais chamou a atenção do Itaú BBA veio de fora do período: as vendas em mesmas lojas (SSS) de outubro subiram 4% na comparação anual, contra apenas 0,1% no trimestre. O avanço veio sobre uma base de comparação exigente, de alta de 5,6% um ano antes. Para o banco, é um sinal inicial animador, mas cedo demais para ser extrapolado, especialmente porque dezembro segue como o mês mais importante do trimestre.
Segundo o Itaú BBA, indicadores de alta frequência já vinham melhorando, e os investidores esperavam algo em torno de um dígito médio. Ainda assim, o número divulgado pelo Assaí foi considerado o principal ponto do balanço.
Resultados em linha com o esperado
O Ebitda do 3T26 foi de R$ 1,08 bilhão, exatamente em linha com a estimativa do banco. O lucro líquido ajustado somou R$ 169 milhões, cerca de 5% abaixo do projetado, por conta de depreciação e despesas financeiras um pouco maiores. Os números excluem créditos de PIS/Cofins, tanto os recorrentes quanto os extemporâneos.
O Itaú BBA destacou a disciplina de custos do Assaí. As despesas de vendas por metro quadrado subiram apenas 1,5% em um ano, abaixo dos 2,9% do segundo trimestre, o que ajudou a manter a margem Ebitda estável em relação ao 3T25, apesar da receita fraca. A margem bruta foi de 15,3% da receita bruta, praticamente estável na comparação anual e apenas 0,1 ponto percentual abaixo da projeção do banco. Para os analistas, a resiliência da margem bruta tem sido uma das características mais atraentes do modelo de atacarejo, e manter esse patamar em um cenário macro desafiador merece destaque.
O banco estima que o Assaí gerou R$ 180 milhões de caixa no trimestre, o que eleva a geração nos últimos 12 meses para cerca de R$ 1,5 bilhão. O valor ficou levemente abaixo da projeção, principalmente por um ciclo de estoques e recebíveis cerca de três dias pior que o esperado. A conversão de Ebitda em caixa operacional após investimentos, na base de 12 meses, foi estimada em 83% no 3T26, ante 87% no 2T26.
Poder de repasse de preços é o debate
Para o Itaú BBA, as revisões de estimativas dependem da capacidade do Assaí de repassar a inflação de alimentos aos preços, com volumes fracos. Com o endividamento das famílias próximo de picos e o movimento persistente de troca para opções mais baratas, contar com cestas de maior valor fica cada vez mais difícil.
O banco avalia que as expectativas já parecem razoavelmente reajustadas. Estima que as vendas brutas por metro quadrado tenham caído cerca de 1,1% no trimestre, o que implica uma distância de cerca de 4 pontos percentuais em relação à inflação de alimentos, deixando espaço para surpresas positivas caso o ritmo de vendas melhore.
A principal preocupação é que um SSS persistentemente abaixo da inflação acabe pressionando as margens, já que as despesas continuam se reajustando mais perto do IPCA, que o Itaú BBA agora projeta em 6% para 2027. Administrar a distância entre a inflação de alimentos e a de custos será, segundo o banco, decisivo para proteger a rentabilidade do Assaí.
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