A XP Investimentos passou a tesoura no preço-alvo da JBS (JBSS32) nesta segunda-feira (13): de R$ 112,20 para R$ 89,00, corte de 21%. O principal vilão é o ciclo do gado nos Estados Unidos, em que a retenção de matrizes avança devagar e o ponto de virada segue distante. A tese de longo prazo, no entanto, saiu ilesa da revisão.
“Continuamos vendo a companhia melhor posicionada que seus pares, sustentada por sua diversificação geográfica e excelência operacional”, escreveram os analistas Leonardo Alencar e Leonardo Paiva.
O balanço merece vigilância no meio do caminho.
“A alavancagem pode ultrapassar o patamar de 3,0 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda no curto prazo”, alertou a dupla — e a companhia, atenta ao risco, já anunciou ajustes no plano de investimentos.
EUA: o buraco do boi, o alívio do porco
A divisão de carne bovina americana concentra o estrago. A XP agora projeta Ebitda negativo de US$ 765 milhões para a unidade em 2026, mais que o dobro do prejuízo de US$ 374 milhões estimado na atualização anterior.
“Esperamos margens mais fracas, pressionadas pela alta dos preços do gado e pela compressão dos spreads”, explicaram Alencar e Paiva.
O porco compensa parte da conta, com estimativa de Ebitda 10% maior graças ao equilíbrio entre oferta e demanda e aos “potenciais benefícios do movimento de downtrading por parte dos consumidores” — a troca de proteínas mais caras pelas mais baratas, apontaram os analistas.
Já a Pilgrim’s Pride sofreu corte de 32% na projeção, com a oferta crescente de frango derrubando preços apesar dos grãos baratos.
Brasil: preço bom, margem vigiada
Por aqui, a fotografia é melhor que o filme. A estimativa para a JBS Brasil subiu 8%, apoiada em preços fortes no mercado interno e na exportação — mas o gado mais caro levou a corretora a reduzir as premissas de margem para o médio prazo, em um ambiente doméstico que perdeu força.
A Seara completa o quadro nacional com revisão de 8% para baixo, refletindo o aumento da oferta de frango e, em menor grau, a pressão persistente sobre as margens de suínos.
Austrália é a estrela
Do outro lado do mundo está a melhor notícia do relatório.
A estimativa de Ebitda da operação australiana saltou 44%, já que “a unidade continua se beneficiando da atual escassez de proteínas nos EUA e de um ambiente mais favorável para exportações à China”, observaram os analistas da XP, com efeito concentrado no primeiro semestre de 2026.
No fim das contas, o modelo novo tem três cortes e três altas — e o saldo aparece no alvo 21% menor.
O recado da corretora é de paciência: o ciclo do boi americano ainda vai doer por alguns trimestres, mas a máquina diversificada da JBS segue sendo, na visão da casa, a mais bem montada do setor para atravessá-lo.
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