O Bradesco BBI reduziu o preço-alvo da Usiminas (USIM5) de R$ 10,00 para R$ 8,50 no fim deste ano e manteve a recomendação neutra. A revisão incorpora um segundo semestre de 2026 menos generoso, com custos subindo e preços de aço andando de lado.
Na prática, o banco sugere que o melhor momento da siderúrgica em 2026 pode já ter ficado no retrovisor.
“Permanecemos cautelosos com a tese de Usiminas”, resumiram os analistas Rafael Barcellos e Renato Chanes.
A frase que sintetiza o relatório está no diagnóstico do calendário.
“Cresce a percepção de que o segundo trimestre de 2026 pode ter representado o ponto mais forte do ano em termos operacionais”, escreveu a dupla do BBI — daqui em diante, a desaceleração da demanda aparente e o avanço das importações indiretas devem tirar o dinamismo dos preços de aços planos no mercado interno.
Custos apertam dos dois lados
Enquanto a receita perde tração, a despesa acelera, com as placas de aço e o carvão metalúrgico encarecendo a produção — e o poder de repasse minguando.
O resultado está nas planilhas: “as estimativas foram revisadas para baixo e apontam para Ebitda inferior ao atualmente esperado pelo mercado”, alertaram Barcellos e Chanes, tanto para o terceiro trimestre de 2026 quanto para o consolidado do ano.
Sem gatilhos à vista
O aço estrangeiro segue como pedra no sapato da indústria nacional.
“O aumento das importações continua pressionando a indústria doméstica e reduzindo a visibilidade sobre a evolução das margens”, apontaram os analistas do banco.
A conclusão fecha a porta para o otimismo de curto prazo.
“Enxergamos uma relação entre risco e retorno mais equilibrada no momento, sem gatilhos claros para uma reprecificação relevante das ações”, avaliou o time do BBI, justificando a manutenção da recomendação neutra.
O tom marca uma mudança de fase: a companhia surfou a recuperação do mercado nos últimos trimestres, mas o vento virou. Para quem carrega o papel à espera de uma nova arrancada, o recado do banco é de que será preciso paciência — e, de preferência, uma trégua nas importações.






