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JBS: veja a opinião dos analistas sobre o resultado do 2º trimestre

JBS: veja a opinião dos analistas sobre o resultado do 2º trimestre

Alavancagem chegou a 3,10 vezes o Ebitda e entrou na chamada zona de atenção da companhia, pressionada por US$ 1 bilhão em dividendos pagos no trimestre

O Ebitda da JBS (JBSS32) veio acima do esperado no segundo trimestre de 2026, mas nenhuma das três casas que analisaram o balanço tratou o número como boa notícia isolada.

Foram US$ 1,4 bilhão em Ebitda ajustado, queda de 19% em um ano, com margem de 6,0%. O lucro líquido ajustado somou US$ 218 milhões, e o resultado reportado foi prejuízo de US$ 102 milhões.

A diferença entre as duas linhas está quase toda em itens não recorrentes: prêmios de recompra de bonds e CRA, acordos antitruste e o ganho por compra vantajosa da Mantiqueira, este em sentido oposto.

A margem que ninguém observava

O Beef North America melhorou 2,4 pontos percentuais, para margem negativa de 1,0%. Seara entregou 14,9% e a JBS Brasil, 5,9%. O tombo veio de onde não se esperava.

“O USA Pork é a notícia do trimestre: margem de 5,6% contra 12,3% um ano antes, com demanda doméstica mais fraca”, apontou Luca Vello, analista da Genial.

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“A unidade que tratávamos como estruturalmente estável entregou quase metade da margem em quatro trimestres”, completou Luca Vello, para quem cinco das seis unidades vieram acima da projeção — e a que errou era justamente a menos vigiada.

Alavancagem cruza o próprio limite

A dívida líquida chegou a 3,10 vezes o Ebitda, acima da faixa de 2,0 a 3,0 vezes fixada pela companhia. O pagamento de US$ 1 bilhão em dividendos explica parte do movimento.

“O balanço parece confortável, particularmente diante de um prazo médio da dívida superior a 15 anos e de um custo médio de captação de apenas 5,7%”, ponderaram Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, analistas do BTG Pactual.

“A alavancagem subiu apesar disso, por US$ 1,0 bilhão de dividendo e uma base móvel em queda, não porque a companhia tenha queimado caixa”, calculou Luca Vello, da Genial, que vê o fluxo de caixa livre do segundo semestre como o teste da tese.

A leitura da XP é de que o problema não está no trimestre em si, mas na ausência de gatilhos claros à frente.

“A alavancagem atual de 3,1 vezes e despesas recorrentes, embora classificadas como não recorrentes, relacionadas a litígios devem continuar pressionando o lucro líquido em um momento desfavorável do ciclo”, escreveram Leonardo Alencar e Leonardo Paiva, analistas da XP.

Sucessão e ruído

Wesley Batista Filho assume como CEO global em 2027, no lugar de Gilberto Tomazoni, que passa a vice-presidente do conselho. Aos 34 anos, ele trabalha há 15 na companhia.

“A recente reabertura da fronteira mexicana, o anúncio da JV com a Danantara e a eleição de Wesley Filho para CEO Global devem manter as ações voláteis enquanto os investidores assimilam tantas novidades simultaneamente”, observaram Leonardo Alencar e Leonardo Paiva.

Para o BTG, a variável decisiva continua sendo a carne bovina nos Estados Unidos, onde a diretoria da JBS se mostra mais otimista que os pares quanto à reabertura das importações de gado mexicano.

“Em um setor onde as ações são pró-cíclicas, os papéis da JBS provavelmente não são uma aposta convincente de alfa, ao menos até que haja uma tendência mais clara de melhora nas margens operacionais”, concluíram Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG Pactual.

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