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Jalles Machado: ações caem 7% após balanço e bancos divergem

Jalles Machado: ações caem 7% após balanço e bancos divergem

Queda de produtividade e preços mais fracos pesam sobre resultados e percepção do mercado

As ações da Jalles Machado (JALL3) operam em queda de aproximadamente 7% após a divulgação dos resultados do quarto trimestre fiscal de 2026, contribuindo para um recuo acumulado próximo de 19% no ano.

As análises de BTG Pactual, Bradesco BBI e XP Investimentos destacam um balanço sem grandes surpresas, mas ainda marcado por incertezas quanto à recuperação mais consistente da companhia.

Desempenho reflete ambiente desafiador

O BTG Pactual mantém recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 5, destacando que o desempenho da companhia segue fortemente atrelado à safra agrícola.

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“FY26 foi um ano difícil para o setor como um todo, com menor produtividade e preços mais fracos de açúcar pressionando os resultados”, afirmam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.

O banco aponta que o quarto trimestre não trouxe grandes novidades e que o foco do mercado deve permanecer nas perspectivas para a safra atual. “O trimestre não trouxe surpresas relevantes, e o principal ponto segue sendo a evolução da safra em andamento”, acrescentam.

Guidance aponta melhora moderada

Apesar de uma sinalização de recuperação operacional para 2026/27, os analistas destacam que o ritmo ainda é lento.

“A companhia espera melhora na moagem e produtividade, mas em um ritmo mais lento do que o esperado”, dizem Duarte e Guttilla, ressaltando que as projeções vieram abaixo de suas estimativas originais.

O Bradesco BBI, que mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 6, também vê sinais positivos, mas com limitações importantes.

“A leitura é de uma retomada ainda incompleta, com limitações relevantes no curto prazo”, afirmam Henrique Brustolin e J. Ricardo Rosalen.

Eles destacam que o hedge de açúcar é um fator de suporte relevante. “A proteção de cerca de 85% da produção a preços superiores ao mercado oferece um importante colchão para as margens”, dizem os analistas.

Resultados mostram pressão de rentabilidade

Na visão da XP Investimentos, que tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 4,10, os números vieram fracos, ainda que em linha com o esperado.

“A Jalles reportou resultados fracos, em grande parte em linha com nossas estimativas”, afirmam Leonardo Alencar, Pedro Fonseca e Leonardo Paiva.

A casa destaca que o desempenho foi impactado por menor receita e menor diluição de custos.

“O EBIT ajustado caiu 61% na comparação anual, refletindo pressão operacional e menor diluição de despesas”, acrescentam.

Ainda assim, alguns pontos positivos foram identificados. “A geração de caixa livre surpreendeu positivamente, enquanto os volumes orgânicos mostraram resiliência mesmo diante de um ambiente adverso”, dizem os analistas da XP.

Perspectivas seguem dependentes da safra

De forma geral, os bancos convergem na avaliação de que a trajetória das ações dependerá principalmente da recuperação de produtividade nos próximos ciclos. O BTG reforça essa visão ao destacar que o ganho operacional ainda precisa se materializar.

“A recuperação de produtividade ainda precisa ser comprovada antes de uma mudança mais significativa de percepção”, afirmam Duarte e Guttilla.

O BBI também reforça a cautela no curto prazo, apesar da recomendação positiva. “Ainda há pouca visibilidade sobre a normalização completa dos ativos, o que adiciona incerteza à velocidade de recuperação”, apontam Brustolin e Rosalen.