A Jalles Machado (JALL3) encerrou a safra 2025/26 com lucro líquido de R$ 9,5 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 55,9 milhões registrado no ciclo anterior. O resultado foi impulsionado por ganhos financeiros, melhora operacional ao longo do ano e pela recuperação de indicadores ligados ao desempenho agrícola da companhia.
O avanço ocorreu apesar da queda da receita líquida e da pressão sobre as margens operacionais. A receita líquida consolidada somou R$ 2,15 bilhões na safra 2025/26, recuo de 8,1% em relação aos R$ 2,34 bilhões reportados em 2024/25.
O resultado financeiro foi um dos principais destaques positivos do período. A companhia registrou ganho de R$ 71 milhões, revertendo a despesa financeira de R$ 618,2 milhões observada na safra anterior. O desempenho contribuiu diretamente para a melhora da última linha do balanço.
EBITDA ajustado recua, mas permanece acima de R$ 1,3 bilhão
O EBITDA ajustado da produtora de açúcar, etanol e energia atingiu R$ 1,31 bilhão na safra, queda de 11,8% na comparação anual. A margem EBITDA ajustada ficou em 60,8%, ante 63,3% no ciclo anterior.
Já o EBITDA contábil totalizou R$ 975,1 milhões, retração de 36,4% em relação aos R$ 1,53 bilhão registrados em 2024/25. A margem EBITDA caiu de 65,6% para 45,4%.
Segundo os números divulgados pela companhia, o lucro bruto somou R$ 41,5 milhões, uma redução expressiva em relação aos R$ 638,9 milhões do exercício anterior. A margem bruta passou de 27,7% para 1,9%.
Um dos fatores que mais pressionaram os resultados foi a variação do ativo biológico, que teve impacto negativo de R$ 347,1 milhões na safra 2025/26. No ciclo anterior, essa linha havia contribuído positivamente em R$ 44,6 milhões.
O CPV (custo dos produtos vendidos) também permaneceu elevado, somando R$ 1,76 bilhão.
Por outro lado, a companhia registrou melhora nas despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A), que recuaram 7% na comparação anual, para R$ 317 milhões.
Jalles Machado: guidance para safra 2026/27
Após encerrar a safra 2025/26 com volumes abaixo do planejado, a Jalles Machado traçou um cenário de recuperação operacional para o ciclo 2026/27. O guidance divulgado pela companhia prevê aumento da moagem de cana, melhora da produtividade agrícola e maior utilização da capacidade industrial, sinalizando uma expectativa de normalização após os impactos climáticos observados nos últimos anos.
A empresa estima processar 7,8 milhões de toneladas de cana na safra 2026/27, volume 10,2% superior às 7,08 milhões de toneladas registradas na safra anterior. Caso a projeção se confirme, a moagem ficará também acima das 7,52 milhões de toneladas inicialmente previstas para 2025/26.
O avanço esperado é acompanhado por uma recuperação da utilização da capacidade produtiva. A taxa deve alcançar 86,7%, ante 78,6% registrados na safra encerrada em março, uma alta de 8 pontos percentuais.
Produtividade agrícola deve voltar a crescer
Outro destaque do guidance é a expectativa de melhora nos indicadores agrícolas. A produtividade média dos canaviais, medida em toneladas de cana por hectare (TCH), deve atingir 80,4 t/ha na safra 2026/27, crescimento de 8% em relação às 74,5 t/ha registradas em 2025/26. Segundo a companhia, a recuperação deve ocorrer em todas as unidades.
Na unidade Jalles Machado, principal operação do grupo, a produtividade é projetada em 85,7 t/ha, alta de 6,5% sobre os 80,5 t/ha da safra anterior.
Na unidade Otávio Lage, a expectativa é de avanço mais moderado, de 2%, para 86,2 t/ha.
Já a unidade Santa Vitória deve apresentar a maior recuperação proporcional entre as operações da companhia. O indicador é estimado em 70,4 t/ha, crescimento de 18,2% na comparação com os 59,6 t/ha registrados na safra passada.
Qualidade da matéria-prima
Enquanto a produtividade agrícola deve avançar, a qualidade da cana tende a permanecer praticamente estável. O ATR médio, indicador que mede a quantidade de açúcar recuperável por tonelada de cana, foi projetado em 137,1 kg por tonelada.
O número representa uma leve redução de 1,6% em relação aos 139,3 kg por tonelada registrados em 2025/26, mas permanece próximo dos níveis históricos da companhia.






