A canadense Alimentation Couche-Tard está negociando com a Ultrapar (UGPA3) a aquisição de uma participação na Ipiranga, segundo informações divulgadas pelo Broadcast. O Bradesco BBI avalia o movimento como um potencial marco para o setor de distribuição de combustíveis no Brasil.
A Couche-Tard não é qualquer compradora. Opera cerca de 17,3 mil lojas em 27 países, gera receita anual próxima de US$ 73 bilhões e tem histórico de aquisições bilionárias, incluindo Circle K, Statoil Fuel & Retail e ativos da TotalEnergies. Mais recentemente, tentou comprar o Carrefour e a Seven & i Holdings em operações estimadas entre US$ 20 bilhões e US$ 47 bilhões.
“A potencial entrada da Couche-Tard seria um importante marco para o setor de distribuição de combustíveis, representando a primeira grande transação desde a melhora estrutural observada na indústria com o avanço da agenda de combate à informalidade”, disseram os analistas Vicente Falanga e Ricardo França, do Bradesco BBI.
Chevron, Saudi Aramco e Vibra Energia haviam sido citados anteriormente como potenciais interessados, mas a canadense surge com capacidade financeira e experiência difíceis de igualar.
Do ponto de vista financeiro, a transação parece atrativa para a Couche-Tard.
“As ações das distribuidoras de combustíveis negociam a múltiplos significativamente inferiores aos da própria Couche-Tard, apesar de apresentarem retornos sobre o capital investido mais elevados”, apontaram Falanga e França.
Essa assimetria de valuation cria uma janela de oportunidade que raramente aparece em mercados desenvolvidos.
Um ponto de atenção é o segmento de conveniência, área central para a estratégia da Couche-Tard e responsável por aproximadamente metade de seu lucro bruto. No Brasil, esse segmento enfrenta desafios históricos de rentabilidade e escala, o que pode exigir adaptações relevantes no modelo de negócios da compradora ao ambiente local.
Para a Ultrapar, a operação pode funcionar como catalisador de reprecificação.

Avaliação
“A avaliação implícita de mercado para os demais negócios do grupo permanece bastante descontada”, avaliaram os analistas.
Uma transação com a Couche-Tard colocaria um preço de mercado explícito na Ipiranga, evidenciando o valor dos demais ativos do conglomerado que hoje não aparecem no múltiplo das ações.
“Uma eventual negociação pode funcionar como catalisador tanto para a reprecificação da Ultrapar quanto de outras ações de empresas do setor, como a Vibra (VBBR3)”, concluíram Vicente Falanga e Ricardo França.
O setor de distribuição de combustíveis vive um momento estruturalmente mais favorável, e uma transação desse porte colocaria o Brasil no mapa das grandes operações globais de varejo de combustíveis.
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