O Ibovespa futuro opera em alta de 0,60%, aos 178.405 pontos, com o mercado avaliando as tensões geopolíticas que voltaram a ditar o ritmo dos mercados nesta terça-feira (14). O petróleo Brent sobe mais de 4%, a US$ 87 por barril, diante da preocupação com o abastecimento no Estreito de Ormuz, segundo análise da Ágora Investimentos.
A agenda do dia também concentra três eventos de peso nos Estados Unidos: a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de junho, o depoimento do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, ao Congresso, e a largada da temporada de balanços dos grandes bancos.
Bolsas globais sem direção única
Os futuros de Nova York operavam mistos, enquanto as bolsas europeias recuavam. Na Ásia, os pregões fecharam majoritariamente em alta, favorecidos pelas ações de tecnologia e por dados de comércio da China acima do esperado.
No câmbio, o dólar ficava perto da estabilidade ante as moedas fortes, e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano avançavam. O minério de ferro subiu 1,81%, a ¥ 760,5 por tonelada, o equivalente a US$ 112,15.
Brasil: commodities aliviam a pressão
Por aqui, a valorização das matérias-primas tende a amenizar a pressão externa sobre os ativos locais, depois de o Ibovespa recuar na véspera. No pré-mercado, o EWZ, principal fundo de índice brasileiro em Nova York, e as ADRs de Petrobras e Vale avançavam, enquanto o real se beneficiava dos dados da balança comercial chinesa.
O mercado segue atento à expectativa de corte de 0,25 ponto da Selic em agosto e ao aguardado relatório final dos Estados Unidos sobre a taxação de produtos brasileiros.
A forte alta do Ibovespa na sexta-feira, impulsionada pelo IPCA abaixo do esperado, ajudou a reduzir a relação entre posições vendidas e o índice. O movimento ganhou tração com a entrada de R$ 1,521 bilhão de capital estrangeiro, o maior fluxo diário desde abril — e, para a Ágora, o consenso ainda favorável ao Brasil entre gestores abre espaço para novas recomposições de posição, caso os indicadores continuem surpreendendo.
CPI dos EUA
A inflação ao consumidor dos Estados Unidos caiu 0,4% em junho, no maior recuo mensal desde abril de 2020, informou o Bureau of Labor Statistics (BLS). O resultado surpreendeu o mercado, que esperava queda bem mais tímida, de 0,1%, depois da alta de 0,5% registrada em maio.
Em 12 meses, o CPI desacelerou de 4,2% para 3,5%, também abaixo dos 3,8% projetados. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, ficou estável no mês — ante expectativa de alta entre 0,2% e 0,3% — e a taxa anual recuou de 2,9% para 2,6%.
Análise técnica
O Ibovespa corrigiu parte da forte alta das duas últimas sessões, mas preserva viés construtivo após o rompimento da resistência dos 174.280 pontos, na leitura da Ágora. Enquanto sustentar essa região, o movimento segue favorável no curto prazo, com o suporte principal na faixa dos 168 mil pontos.

A recomendação do dia é a compra de PRIO (PRIO3) entre R$ 57,67 e R$ 57,96, com primeiro objetivo em R$ 60,28 (ganho estimado de até 4,53%) e segundo em R$ 62,90 (até 9,07%). O stop fica em R$ 56,44, com perda estimada entre 2,13% e 2,62%.
Resultados de bancos nos EUA
A temporada de balanços americana começou com números acima das projeções. O JPMorgan lucrou US$ 21,16 bilhões no segundo trimestre, alta de 41% em um ano, com receita 28% maior, de US$ 57,3 bilhões.
O Goldman Sachs entregou lucro de US$ 6,63 bilhões (+78%), ou US$ 20,98 por ação — bem acima dos US$ 14,51 esperados —, com receita recorde de US$ 20,34 bilhões. O Citigroup ganhou US$ 5,83 bilhões (+45%), também superando as estimativas.
Completam a lista o Bank of America, com lucro de US$ 9,1 bilhões (+27%) e receita de US$ 31,6 bilhões, e o Wells Fargo, que reportou ganho de US$ 6,41 bilhões (+17%) e receita de US$ 22,62 bilhões.
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