O Ibovespa futuro opera perto do zero nesta segunda-feira (3) com a perspectiva de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã melhora o humor dos mercados. O movimento reduz os temores de interrupção no fornecimento de petróleo no Oriente Médio e alivia as preocupações inflacionárias de curto prazo, segundo a Ágora Investimentos.
Com o cenário mais tranquilo, os futuros do S&P 500, do Nasdaq e do Dow Jones avançam em Nova York, e as bolsas europeias sobem majoritariamente. A Ásia fechou sem direção única. O dólar perde força frente às moedas fortes, e os rendimentos dos Treasuries recuam.
O petróleo é o destaque do dia: recua cerca de 5%, devolvendo parte dos ganhos acumulados no mês passado. O minério de ferro também cede — o contrato mais negociado na bolsa de Dalian, para setembro de 2026, fechou em queda de 2,85%, cotado a ¥ 698 por tonelada, o equivalente a US$ 103,38.
No Brasil, o exterior mais favorável pode apoiar o Ibovespa, o real e os juros futuros. A queda do petróleo e do minério de ferro, porém, deve limitar o desempenho das ações ligadas a commodities.
A semana começa com o boletim Focus, os PMIs, o Copom e balanços corporativos no centro das atenções, enquanto investidores avaliam as expectativas para inflação, atividade e juros antes da decisão do Banco Central na quarta-feira.
Focus
O mercado financeiro passou a apostar que o ciclo de queda dos juros começa ainda em 2026. A mediana das projeções para a Selic no fim do ano recuou de 14% para 13,75% no boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Banco Central — a primeira mudança na estimativa depois de meses de estabilidade no patamar atual da taxa.
Na prática, o número embute um corte de 0,25 ponto percentual até dezembro. Entre os economistas que atualizaram suas projeções nos últimos cinco dias úteis, a mediana já aponta 13,75% a partir de setembro. Para os anos seguintes, o afrouxamento continua no roteiro: a taxa é vista em 12% no fim de 2027, em 10,5% em 2028 e em 10% em 2029.
O pano de fundo da mudança é o alívio contínuo nos preços. A projeção para o IPCA de 2026 caiu de 5,12% para 5,03%, na quinta semana consecutiva de recuo — há um mês, estava em 5,30%. O número, ainda assim, segue acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 3% com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.
Análise técnica
O Ibovespa voltou a mostrar força no curto prazo, com candle de alta e aproximação da resistência de 178.220 pontos. Ainda assim, o índice segue dentro de uma estrutura micro de lateralização, e a superação dessa faixa seria importante para favorecer a continuidade da recuperação.
Enquanto sustentar a região de 172.200 pontos, as médias curtas e a linha de tendência ascendente, a leitura construtiva segue preservada. Abaixo de 168 mil pontos, o cenário ficaria mais comprometido.

A recomendação do dia é a compra de Grupo GPS (GGPS3) entre R$ 11,81 e R$ 11,87, com primeiro objetivo em R$ 12,59 (ganho estimado de até 6,6%) e segundo em R$ 13,27 (até 12,36%). O stop fica em R$ 11,39, com perda estimada entre 3,56% e 4,04%.
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