A Suzano (SUZB3) anunciou um aumento de US$ 20 por tonelada no preço da BHKP, a celulose de fibra curta, para pedidos de setembro de 2026 na China e em outros mercados asiáticos. É o primeiro reajuste da companhia na região desde abril, e a XP Investimentos leu o movimento como sinal de que a correção recente chegou ao fim.
“O anúncio vem depois da melhora na entrada de pedidos na China, sustentada por preços mais altos de papel e estoques mais normalizados, sobretudo de fibra curta. Isso reforça nossa visão de que os preços atingiram um piso”, apontam Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, analistas da XP Investimentos.
Custo de produção sustenta a negociação
A estrutura de custos dos produtores menos eficientes funciona como um piso natural para o preço. Quem depende de madeira importada opera hoje com custo marginal estimado em US$ 585 por tonelada, patamar acima do preço praticado no mercado chinês.
“Os produtores integrados que usam madeira doméstica seguem comparativamente bem posicionados, com custo marginal perto de US$ 515 por tonelada. Os níveis atuais sustentam uma recuperação potencial dos preços da celulose na China”, observam Laghi, Nippes e Urbano.
Oferta menor e estoques em queda
Do lado da oferta, a Domtar anunciou a paralisação por tempo indeterminado da fábrica de celulose Howe Sound e da unidade afiliada de produção de cavacos Bayview Fibre, ambas na Colúmbia Britânica. A decisão retira cerca de 380 mil toneladas anuais de capacidade de NBSK, a fibra longa, do mercado.
“Os estoques de celulose nos portos europeus recuaram 10% em julho na comparação com junho e 21% ante o mesmo mês do ano passado, totalizando 1,202 milhão de toneladas, segundo a Europulp”, calculam Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, analistas da XP Investimentos.
“Os preços líquidos na China estão em US$ 564 por tonelada para a fibra curta e US$ 626 para a fibra longa. Os futuros de fibra curta para outubro seguem em US$ 570, estáveis na semana e acima do preço à vista. A atenção agora se volta para o que pode sustentar um novo anúncio de aumento”, projetam Laghi, Nippes e Urbano.






