O Ibovespa encerrou a quarta-feira (10) em queda de 0,70%, aos 168.619 pontos, acompanhando o viés negativo do exterior e pressionado por ações de maior peso, como Vale, bancos e papéis ligados ao ciclo doméstico. O índice acumula queda de aproximadamente 2,3% no mês e de 7,3% em 30 dias.
O giro financeiro somou R$ 25,5 bilhões, em um pregão marcado por menor apetite ao risco. A alta do petróleo ofereceu algum suporte às ações da Petrobras, mas não foi suficiente para sustentar o índice no campo positivo.
No mercado de juros, os contratos de DI fecharam sem direção única, refletindo a combinação entre alívio pontual com a inflação americana e cautela em relação ao ambiente global. No câmbio, o dólar apresentou volatilidade frente ao real e terminou com leve queda de 0,09%, cotado a R$ 5,17.
Exterior adota postura defensiva
As bolsas internacionais encerraram o dia em tom defensivo, diante da redução do apetite por risco em meio ao aumento das tensões geopolíticas. O movimento elevou os preços do petróleo ao longo da sessão, reacendendo preocupações com pressões inflacionárias e seus possíveis impactos sobre a condução das políticas monetárias globais.
Além disso, o setor de tecnologia permaneceu pressionado, contribuindo para o desempenho negativo dos principais índices em Nova York. A fraqueza nas ações do segmento refletiu o ambiente mais cauteloso, em que investidores reduziram exposição a ativos de maior risco.
CPI e política monetária no radar
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) de maio veio em linha com as expectativas, enquanto o núcleo abaixo do esperado ajudou a limitar a alta dos Treasuries e do dólar, sem, no entanto, mudar o pano de fundo mais cauteloso.
O CPI desacelerou de 0,6% para 0,7% em maio, e o núcleo recuou de 0,8% para 0,21% — em boa parte revertendo o ressalto técnico pós-shutdown que havia inflado abril. No acumulado em 12 meses, o índice cheio avançou para ,2%, pressionado por efeito de base em energia, enquanto o núcleo está em 2,9%.
“Para o Fed, o dado oferece alguma folga na margem, mas não muda a postura cautelosa e em compasso de espera — a desinflação dos serviços ainda precisa aparecer nas medidas de tendência central, não apenas no índice cheio”, avaliam os economistas do Bradesco BBI Dalton Gardimam e Maria Clara Negrão.
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