A indústria brasileira de carrocerias de ônibus registrou leve avanço em maio de 2026, segundo dados divulgados pela Fabus (Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus). A produção total somou 2.480 unidades, alta de 4% na comparação anual, ainda que com recuo de 2% sobre abril, refletindo dinâmicas distintas entre mercado doméstico e exportações.
O resultado foi sustentado sobretudo pelo mercado interno, cuja produção cresceu 9% na base anual, compensando parcialmente a queda de 27% nas exportações. No recorte por segmento, os micro-ônibus mantiveram forte desempenho, com avanço de 126% frente a maio de 2025 e de 45% em relação ao mês anterior, em meio ao suporte de programas públicos.
“O segmento de micro-ônibus segue se destacando de forma consistente, impulsionado por programas governamentais, principalmente ligados à saúde e à educação, o que deve sustentar essa tendência nos próximos meses”, afirmam os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, da XP Investimentos.
Na avaliação da casa, a retomada gradual das entregas do programa Caminho da Escola tende a reforçar a demanda no curto prazo, ampliando a participação desse segmento no mix da indústria. Esse movimento ocorre em um contexto de maior dependência do mercado doméstico, diante da fragilidade das exportações.
Marcopolo ganha participação e supera indústria
A Marcopolo apresentou desempenho superior ao da indústria em maio, com alta de 7% na produção consolidada na comparação anual, acima do crescimento de 4% do setor. Com isso, a companhia manteve participação de mercado em torno de 47% no acumulado dos últimos 12 meses.
“O desempenho da Marcopolo reflete dinâmicas distintas entre segmentos, com destaque para micro-ônibus, enquanto a divisão de urbanos segue pressionada, ainda abaixo da média da indústria”, destacam os analistas. A produção de micro somou 587 unidades no mês, alta de 124% A/A, enquanto urbanos recuaram 46% na mesma base.
A companhia também se beneficiou da expansão da produção doméstica, que avançou 12% em relação ao ano anterior, compensando parcialmente a retração de 27% nas exportações. Para frente, a XP vê o programa Move Brasil como um potencial gatilho de curto prazo para a demanda, embora haja sinalização de que o crédito subsidiado disponível possa se esgotar até agosto, limitando o fôlego adicional do setor.
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