A Semavy, aposta da Hypera (HYPE3) no mercado de semaglutida, pode se aproximar da marca de R$ 1 bilhão em receita até 2030 — R$ 960 milhões, ou 7% do faturamento da farmacêutica, nas contas do BTG Pactual.
“O desempenho comercial da semaglutida pode se tornar o principal catalisador para uma futura melhora de recomendação das ações”, escreveram os analistas Samuel Alves e Maria Resende.
O dinheiro começa a entrar em 2027, primeiro ano cheio do produto, com R$ 380 milhões estimados. Antes disso, falta o aval da Anvisa, esperado para os próximos meses — a venda começaria de 60 a 90 dias depois.
“Acreditamos que a companhia está bem posicionada”, avaliou a dupla, projetando 20% de participação para a Hypera, apoiada na rede que alcança 50 mil farmácias e na franquia já existente em diabetes.
Mercado que multiplica por 2,5
O bolo em disputa é gigante. O BTG calcula que 51 milhões de adultos brasileiros se enquadram no público potencial dos tratamentos para diabetes ou obesidade, demanda de 40 milhões de pacientes-mês por ano até 2030.
Os preços devem cair 15% no período, mas “o acesso mais amplo e os volumes maiores de tratamento devem mais do que compensar essa pressão”, observaram os analistas, que veem os volumes multiplicando por 2,5.
Desde a queda da patente no Brasil, em março, a corrida já começou. O Ozivy, da EMS, chegou às farmácias em junho custando cerca de 60% menos que o produto de referência, e a Novo Nordisk reagiu com marcas mais baratas em parceria com a Eurofarma.
“A competição está chegando rapidamente e com descontos profundos”, alertaram Alves e Resende, que rastreiam 16 potenciais entrantes.
Ebitda cresce menos que a receita
Nem todo esse faturamento, contudo, vira lucro na mesma proporção.
O banco assume margem bruta em linha com a média da Hypera no início, mas com validade: “a pressão competitiva tende a se intensificar, levando o Ebitda a crescer mais lentamente do que as receitas”, ponderaram os analistas.
Ainda assim, a oportunidade elevou em 4% as estimativas de Ebitda do BTG para 2027 e 2028.
Preço-alvo menor, recomendação neutra
No preço-alvo, o efeito foi o inverso: corte de R$ 26 para R$ 24 por ação, já que o custo de capital mais alto engoliu o ganho das projeções maiores. A ação negocia a 8,5 vezes o lucro deste ano, em linha com a média histórica.
“Ainda é cedo para defender um re-rating da ação”, concluíram Samuel Alves e Maria Resende, que mantiveram a recomendação neutra.
Há, no entanto, um detalhe que pode mudar o jogo: pelo levantamento do banco, o consenso de mercado ainda não incorpora a semaglutida nas projeções para a Hypera.
Se a companhia capturar participação e sustentar margens saudáveis, o lançamento — somado à melhora recente dos resultados operacionais — pode marcar o ponto de virada que falta para o papel.






