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Virada da Camil só virá na próxima safra, diz XP

Virada da Camil só virá na próxima safra, diz XP

Para os analistas, o balanço não deve mexer nas projeções — o que importa é o corte esperado na área plantada de arroz da safra 2026/27

O primeiro balanço do ano fiscal da Camil (CAML3) deve vir no vermelho. A XP Investimentos projeta prejuízo de R$ 10 milhões para o primeiro trimestre de 2026, encerrado em maio, com Ebitda ajustado de R$ 197 milhões — 16% menor que o de um ano antes.

A culpa, segundo a corretora, está nas commodities mais baratas e nos preços pressionados no curto prazo.

Na receita, a estimativa é de R$ 2,5 bilhões, recuo de 4% na comparação anual. Vender mais não tem sido o problema: os volumes crescem com a aceleração da nova unidade de negócios no Paraguai. O que falta é preço, corroído pela queda das cotações agrícolas.

A safra decide

O investidor, portanto, não deve esperar grandes emoções da temporada de resultados.

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“Não esperamos que o trimestre seja um catalisador relevante para revisões”, escreveram os analistas Leonardo Alencar e Leonardo Paiva.

O jogo se decide no campo: “os preços do arroz, apesar de alguma recuperação recente, ainda permanecem abaixo dos custos de produção”, apontou a dupla da XP — e é esse desequilíbrio que deve encolher a área plantada no ciclo 2026/27, abrindo espaço para a recuperação das cotações.

Caixa no vermelho, por ora

Antes da virada, contudo, vem a conta da colheita. Como todo início de ano fiscal da companhia, a recomposição dos estoques consome capital de giro, e a corretora calcula queima de R$ 854 milhões no trimestre — pouco abaixo dos R$ 881 milhões do primeiro trimestre de 2025, com as commodities em baixa também pesando na geração de caixa.

O quadro muda no acumulado de 2026. Com investimentos menores, a XP projeta fluxo de caixa livre positivo de cerca de R$ 100 milhões no ano, “abrindo caminho para uma desalavancagem gradual”, concluíram Alencar e Paiva.