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Prévia do 2º tri: o que esperar da Klabin, Suzano e Dexco

Prévia do 2º tri: o que esperar da Klabin, Suzano e Dexco

Guerra no Oriente Médio encarece insumos e corrói o ganho que a celulose mais cara daria às empresas do setor, avaliam analistas

A celulose subiu de preço, mas o setor não vai conseguir aproveitar o embalo por inteiro. Na prévia do 2T26 divulgada pelo Bradesco BBI, os custos pressionados pelo conflito no Oriente Médio roubam boa parte do ganho das cotações.

“De modo geral, esperamos um cenário misto”, resumiram os analistas Rafael Barcellos e Renato Chanes.

Entre as três companhias cobertas, uma sai na frente.

Operário com óculos de proteção e camiseta verde da Klabin inspeciona grandes bobinas de papel pardo em uma passarela industrial. A linha de produção se estende ao fundo com janelas laterais que mostram o pátio da fábrica.
Divulgação Klabin

Klabin

“A Klabin (KLBN11) deve se destacar, com um aumento de 11% no Ebitda em relação ao trimestre anterior”, apontou a dupla, que estima R$ 1,85 bilhão para a linha, com ajuda da sazonalidade favorável nos negócios da companhia.

Nos detalhes da Klabin, os embarques de celulose devem crescer 2%, para 408 mil toneladas, a um preço médio de US$ 735 — e o cartão revestido avança 10% com a priorização da máquina 28.

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O custo caixa, no entanto, quase não cede: “os benefícios da melhor diluição de custos fixos são amplamente compensados por pressões nos insumos decorrentes do conflito no Oriente Médio”, explicaram Barcellos e Chanes.

Suzano
(Imagem: Divulgação/ Suzano)

Suzano

A Suzano (SUZB3) vive o dilema oposto: preço bom, operação travada. Paradas de manutenção em Três Lagoas, Mucuri e Jacareí devem derrubar os embarques em 1%, para 2,8 milhões de toneladas.

“O aumento de custos e a redução de volumes anulam os benefícios dos preços mais altos”, calcularam os analistas do BBI.

O resultado é um Ebitda de celulose parado em R$ 4,1 bilhões, mesmo com o preço realizado subindo 7%, para US$ 600 a tonelada, e o custo caixa avançando 5%, para R$ 840.

O papel ajuda na margem — R$ 573 milhões, alta de 9% —, e a leitura de médio prazo não é de teto: “há espaço para melhorias adicionais nos ativos operacionais”, observaram Barcellos e Chanes.

Fachada de uma loja da Dexco.
Créditos: Divulgação Dexco

Dexco

Na Dexco (DXCO3), o trimestre é de forças que se anulam.

O Ebitda consolidado deve somar R$ 486 milhões, já que “os resultados mais fortes da Deca compensaram com folga o desempenho ligeiramente mais fraco da divisão de painéis de madeira”, escreveram os analistas.

Os painéis devem render R$ 432 milhões, queda de 2%, enquanto a Deca entrega R$ 51 milhões com preços bem maiores.

O ponto fraco da companhia segue sendo o piso — literalmente.

A divisão de revestimentos cerâmicos deve gerar Ebitda de apenas R$ 2 milhões, “refletindo condições de mercado ainda desafiadoras”, ponderaram Rafael Barcellos e Renato Chanes. É o retrato de um setor em que, por ora, cada real ganho no preço encontra outro perdido no custo.