As ações da Gerdau (GGBR4) recuaram cerca de 10% após notícias de que Estados Unidos e Canadá discutem a redução das tarifas sobre determinados produtos siderúrgicos canadenses de 50% para 25%. Para o BTG Pactual (BPAC11), porém, a reação do mercado parece ter sido excessiva diante do cenário conhecido até agora. Nesta quinta-feira (20), os papéis da companhia siderúrgica operam com baixa de 2,30%, aproximadamente.
O banco avalia que uma eventual redução das tarifas pode pressionar os preços do aço nos Estados Unidos, mas destaca que a Gerdau possui mecanismos que ajudam a compensar parte desse impacto. Um dos principais é a presença da companhia no próprio Canadá, com usinas que poderiam se beneficiar de um acesso mais favorável ao mercado americano.
Além disso, a possível mudança nas tarifas estaria limitada a uma cota de aproximadamente 4 milhões de toneladas por ano, segundo relatos citados pelo relatório. Os volumes que ultrapassarem esse limite continuariam sujeitos à tarifa de 50%. O BTG também chama atenção para os fundamentos ainda apertados em algumas das principais linhas de produtos da Gerdau, especialmente os perfis estruturais.
Presença no Canadá reduz impacto potencial
A operação da Gerdau nos dois lados da fronteira é um dos principais argumentos utilizados pelo BTG para relativizar o impacto de uma eventual redução das tarifas.
A companhia possui 13 unidades de produção de aço nos Estados Unidos e no Canadá, com capacidade de aproximadamente 6,5 milhões de toneladas de aço bruto por ano na América do Norte, além de joint ventures no México. As operações canadenses representam entre 20% e 25% da capacidade norte-americana da Gerdau.
Com tarifas menores, portanto, o aço produzido pelas próprias usinas canadenses da companhia poderia ganhar competitividade no mercado americano. Embora uma maior oferta canadense possa pressionar os preços nos Estados Unidos e substituir parte da produção local, uma parcela desse benefício também seria capturada pela própria Gerdau.
Esse efeito funciona como uma espécie de proteção natural para a companhia e, na avaliação do banco, não estaria sendo devidamente considerado na reação recente das ações.
México é o principal ponto de atenção
O cenário envolvendo o México ainda é incerto. Até o momento, não há um acordo semelhante ao que vem sendo discutido entre Estados Unidos e Canadá.
Uma eventual redução das tarifas mexicanas representaria um risco maior para a Gerdau, principalmente nos produtos longos mais comoditizados, como barras comerciais e vergalhões. Esses segmentos são considerados os mais sensíveis a mudanças no ambiente tarifário.
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Os perfis estruturais, por outro lado, tendem a apresentar maior proteção, devido à estrutura de oferta regional, à presença produtiva da Gerdau nos Estados Unidos e às condições de demanda.
O BTG destaca ainda que cerca de 40% da exposição da companhia na América do Norte está ligada à construção não residencial e à infraestrutura, com data centers e fábricas entre os principais mercados finais.
América do Norte continua no centro da tese
Apesar das incertezas sobre as tarifas, o relatório mantém a avaliação de que a América do Norte continua representando uma oportunidade relevante para a Gerdau. Cerca de 75% do EBITDA da companhia está exposto à região, onde o BTG espera que as margens permaneçam acima de 20% por mais tempo.
Preços do aço em alta, custos de sucata relativamente estáveis e demanda resiliente, especialmente por projetos de data centers, têm contribuído para manter spreads considerados atrativos.
No Brasil, o banco avalia que o pior momento pode ter ficado para trás, com as margens próximas do piso e as primeiras medidas antidumping criando condições para um ambiente competitivo mais equilibrado.
Outro fator destacado é a exposição em dólar, que pode oferecer proteção em um cenário de maior incerteza para a economia brasileira.






