As ações da Engie (EGIE3) caem cerca de 2%, negociadas a R$ 32,60, após a companhia anunciar uma oferta pública de ações para viabilizar a incorporação de uma participação de 40% na usina hidrelétrica de Jirau. A operação foi aprovada pelo conselho de administração e divulgada ao mercado na quarta-feira (11), provocando avaliações distintas entre analistas.
A proposta prevê que o acionista controlador, ligado à francesa Engie, possa transferir a fatia do ativo para a subsidiária brasileira. O valor estimado da participação é de R$ 5,74 bilhões, segundo avaliação independente, embora os termos finais da oferta ainda dependam de definição e aprovação dos acionistas.
BTG destaca desalavancagem
Na visão do BTG Pactual, a operação tem mérito do ponto de vista financeiro, especialmente pela possibilidade de redução da alavancagem da companhia. Os analistas ressaltam que a captação pode ajudar a acomodar compromissos relevantes já previstos no balanço.
“O aumento de capital deve ajudar a reduzir a alavancagem em cerca de 0,4 vez, podendo chegar a 1,2 vez caso seja integralmente em caixa”, afirmam Antonio Junqueira, Gisele Gushiken e Maria Schutz. O banco destaca ainda que a companhia tem um pagamento relevante relacionado à obrigação da UBP, o que torna a operação útil na gestão de capital.
Apesar disso, o BTG mantém recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 33, indicando visão equilibrada entre benefícios financeiros e eventuais riscos de execução.

Safra vê valuation exigente
Já o Safra adota uma postura mais cautelosa em relação à operação, principalmente pelo valuation atribuído à participação em Jirau. O banco avalia que a transação pode exigir esforço significativo por parte dos acionistas minoritários.
“Vemos a operação como relevante em termos de tamanho, mas com um valuation exigente”, afirma o analista Daniel Travitzky. Segundo ele, para evitar diluição, os minoritários precisariam aportar cerca de R$ 8,4 bilhões somando a oferta e outras obrigações, um valor que representa aproximadamente 22% do valor de mercado da Engie.
O Safra também pondera que, mesmo sem a aprovação da incorporação, a companhia pode estruturar a oferta para levantar recursos e quitar obrigações financeiras. Ainda assim, mantém recomendação de venda (underperform), com preço-alvo de R$ 34,20.
BBI aponta equilíbrio na tese
O Bradesco BBI adota uma visão intermediária, classificando a operação como neutra a levemente positiva. Para o banco, há coerência entre o retorno implícito do ativo e o custo de capital da companhia, o que sustenta a racionalidade econômica da transação.
“Avaliamos a operação como neutra a levemente positiva, considerando a coerência econômica e a flexibilidade na execução”, afirmam Francisco Navarrete e Renato Chanes. Os analistas destacam que a estrutura proposta reduz riscos, ao permitir diferentes caminhos para conclusão da operação.
No entanto, o BBI chama atenção para o fato de que o ativo já possui contratos relevantes até 2034, o que limita o potencial de valorização no curto prazo. Com isso, a tese dependeria mais da execução operacional e da gestão eficiente do portfólio.
Divergência e riscos no radar
De forma geral, as análises refletem uma divergência importante entre os bancos, com destaque para o equilíbrio entre fortalecimento financeiro e questionamentos sobre valuation e retorno. A destinação de recursos para redução de passivos e financiamento de investimentos também é vista como um ponto positivo.
Por outro lado, a ausência de catalisadores claros no curto prazo e a necessidade de aprovação dos acionistas adicionam incerteza ao cenário. A reação inicial negativa das ações indica que o mercado ainda digere os detalhes da operação.






