A Engie (EGIE3) atravessa um momento de forte expansão operacional com crescimento em transmissão, entrada de novos ativos e geração robusta de caixa, enquanto mantém a alavancagem sob controle mesmo em um ciclo intensivo de investimentos, segundo avaliação do BB Investimentos.
No primeiro trimestre de 2026, a companhia apresentou avanço consistente de receita e Ebitda ajustado, sustentado principalmente pelo maior volume de energia vendida, pela entrada em operação de novos projetos e pela contribuição dos ativos hidrelétricos adquiridos em 2025.
De acordo com o banco, a elétrica também foi beneficiada por preços médios de venda ligeiramente melhores e por um desempenho favorável nas comercializações de curto prazo, em um cenário de manutenção de elevados índices de disponibilidade tanto em geração quanto em transmissão.
Entre os principais destaques recentes, o BB ressaltou a conclusão do complexo Assú Sol, o avanço dos projetos de transmissão Asa Branca e Graúna e a vitória no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026), com a expansão da Usina Hidrelétrica de Jaguara.
Além disso, a companhia ampliou seu pipeline de crescimento ao conquistar os lotes 2 e 3 no leilão de transmissão realizado em março de 2026, reforçando a exposição a receitas reguladas e de longo prazo — consideradas pelo mercado como de menor risco e maior previsibilidade.
Expansão monitorada
Na visão do BB Investimentos, a Engie reúne características que fortalecem sua previsibilidade operacional, incluindo ativos renováveis de grande escala, receitas reajustadas pela inflação, diversificação geográfica e crescente participação em negócios regulados, como transmissão de energia.
O banco avalia, contudo, que o atual ciclo de expansão mantém alguns pontos no radar dos investidores, especialmente o nível de execução dos projetos, os impactos de curtailment sobre ativos renováveis, o desempenho da Transportadora de Gás (TAG) e eventuais desdobramentos envolvendo uma potencial incorporação da participação na usina hidrelétrica de Jirau.
Mesmo assim, o BB afirma que esses fatores ainda não alteram sua percepção positiva sobre a qualidade de crédito da companhia, sustentada pela forte liquidez e pelo acesso recorrente ao mercado de capitais.
Endividamento
A Engie encerrou março de 2026 com dívida líquida de R$ 25 bilhões e alavancagem de 3,2 vezes dívida líquida sobre Ebitda ajustado, levemente abaixo das 3,3 vezes registradas no fim de 2025.
Segundo o relatório, a melhora ocorreu em meio ao aumento de caixa após captações realizadas no trimestre e à manutenção de uma geração operacional robusta.
Por outro lado, a dívida bruta avançou na comparação com dezembro, principalmente em razão de novas emissões de debêntures e da continuidade das captações voltadas à expansão dos investimentos. Ainda assim, o prazo médio da dívida permaneceu alongado em 7,2 anos, fator visto como positivo em um ambiente de forte necessidade de capital.






