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Endividamento da Raízen dispara e aciona sinal amarelo entre investidores

Endividamento da Raízen dispara e aciona sinal amarelo entre investidores

Em 12 meses, a alavancagem foi de 5,3x EBITDA ajustado, bem acima dos 3,0x registrados no ano anterior

A situação do endividamento da Raízen (RAIZ4) é considerada crítica e segue se deteriorando, com a dívida líquida em R$ 55,3 bilhões, alta de 43,4% em 12 meses. Isso leva a uma alavancagem de 5,3x EBITDA ajustado, bem acima dos 3,0x registrados no ano anterior. Segundo relatório do BB Investimentos, nesse cenário torna-se indispensável a venda de ativos relevantes ou uma capitalização na empresa. Desta forma, pode ser evitada uma situação de agravamento e é considerado fundamental para reequilibrar a estrutura de capital para a companhia.

“O agravamento da percepção de risco nos últimos dias evidenciou a deterioração financeira da companhia, especialmente após a confirmação da contratação de assessores financeiros e legais para avaliar alternativas de reestruturação, incluindo menções a um possível haircut (recurso para reestruturação) da dívida”, diz trecho do relatório.

Outro exemplo que mostra a desconfiança do mercado em relação à empresa é a taxa de aluguel das ações na Bolsa, que chega a quase 75%, sendo a mais cara do mercado.

Além disso, a casa de análise avalia que ainda persistem as dúvidas em relação à capacidade e disposição dos acionistas controladores – no caso a Cosan (CSAN3) – em liderar uma capitalização adequada às necessidades da companhia.

Em resumo, a melhora da percepção de risco da empresa depende da execução do plano de reorganização financeira, mantendo riscos significativos até que ocorra uma solução estrutural para equalizar o capital da empresa de combustíveis.

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Momento desafiador

Para o BB, a Raízen atravessa um momento operacional bastante desafiador, com forte contraste entre segmentos. Enquanto a distribuição no Brasil mostra certa resiliência, com crescimento de volumes, melhora de margens e avanço do EBITDA apoiado por melhor mix, precificação e ambiente competitivo mais racional, o segmento sucroenergético segue pressionado por queda de moagem, menor produção de açúcar e etanol e pior diluição de custos, resultando em forte retração do EBITDA.

Esse quadro operacional desfavorável, somado ao alto custo financeiro, elevada alavancagem e alto consumo de caixa, culminou em prejuízo significativo no terceiro trimestre do ano safra 2026, agravado pelo impairment de R$ 11,1 bilhões, levando a companhia a reduzir investimentos, priorizar capex de manutenção e acelerar a venda de ativos em conjunto com alternativas para viabilizar sua reestruturação de capital.