A agência de risco Moody’s anunciou o rebaixamento do rating da Cosan (CSAN3) para AA.br, com status “em revisão para rebaixamento” (RUR), ante AA+.br com perspectiva estável. A decisão reflete, principalmente, a deterioração do perfil de crédito da subsidiária Raízen (RAIZ4), que teve seu rating cortado para CCC+ e também colocado em revisão para rebaixamento.
Segundo a agência, o enfraquecimento da estrutura financeira da Raízen levou à redução das expectativas de dividendos a serem recebidos pela Cosan por um período mais longo do que o projetado anteriormente. O cenário ainda aumenta a concentração futura de proventos na Compass Gás e Energia, elevando a pressão sobre as métricas de crédito da holding.
Rating da Cosan: incertezas
Segundo relatório da Moody´s, a revisão para rebaixamento está associada às incertezas quanto à trajetória de recuperação das métricas financeiras da Cosan, diante dos desafios para o reequilíbrio da Raízen e dos riscos de contágio no processo de desinvestimentos da holding. A agência destaca que a companhia enfrenta forte necessidade de novas alienações de ativos para continuar reduzindo sua alavancagem.
Apesar do cenário adverso, a Moody’s reconhece que as ações de gestão de passivos realizadas ao longo de 2025 e no início de 2026, além dos recursos provenientes de um aporte de capital concluído no fim do ano passado, contribuíram para fortalecer a estrutura de capital e a liquidez da Cosan, funcionando como fatores mitigadores.
No dia 10 de fevereiro, a agência já havia rebaixado o rating da Raízen, citando a contratação de assessores financeiros e jurídicos para avaliar alternativas de fortalecimento da liquidez e otimização da estrutura de capital. De acordo com as projeções da Moody’s, seriam necessários entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões em novos recursos, via desinvestimentos e aportes de capital, para equacionar a situação.
A estimativa é de que os desinvestimentos — incluindo a venda de ativos na Argentina — possam gerar, no máximo, cerca de R$ 8 bilhões, valor considerado insuficiente frente às necessidades projetadas.






