O Airshow de Farnborough, marcado para 20 a 24 de julho, é o segundo maior evento de aviação do mundo e representa um momento-chave para o desempenho de curto prazo das ações da Embraer (EMBJ3).
O BTG Pactual recomenda a compra do papel antes do evento, avaliando que o fluxo de notícias sobre pedidos é um fator que os investidores dificilmente ignorarão.
“Em nossa visão, o fluxo de notícias sobre pedidos é um fator-chave que os investidores dificilmente ignorarão quando se trata do desempenho das ações da Embraer“, afirmaram os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG Pactual.
O relatório do banco traça um panorama abrangente do evento, comparando com edições anteriores e avaliando o potencial comercial para a Embraer em cada segmento.
A edição de 2024 de Farnborough foi mais fraca do que o esperado em termos de captação de pedidos — a Embraer não assegurou nenhum novo pedido de aeronave comercial de passageiros durante o evento, tendo apenas finalizado um pedido de defesa conjunto de nove KC-390 para Holanda e Áustria e a venda de seis A-29 Super Tucanos para a Força Aérea do Paraguai.
Um ano excepcionalmente forte como ponto de partida
O pano de fundo para o Farnborough deste ano é favorável.
“Continuamos a observar uma tendência de alta sustentada na demanda por aeronaves e, além do evento em si, acreditamos que o mercado provavelmente começará a antecipar potenciais anúncios de pedidos nas semanas que antecedem o airshow”, destacaram Marquiori, Recchia e Alkmim.
A Embraer chega ao evento com um backlog significativamente mais robusto do que tinha no ano passado, especialmente para a família E2, e a gestão indicou que 2026 deve ainda ser um ano forte em captação de pedidos, ainda que um pouco abaixo do excepcional 2025.
A guerra no Oriente Médio representou um fator de incerteza ao longo do ano, com a escalada do conflito a partir de 28 de fevereiro elevando os preços do combustível de aviação e potencialmente postergando alguns anúncios de pedidos.
Contudo, a recente desescalada do conflito leva o BTG a esperar um comportamento mais normalizado do airshow.
“Esperamos que as ações da Embraer exibam comportamento semelhante ao observado antes do Paris Air Show do ano passado, sustentado por forte desempenho antes do evento à medida que o mercado antecipa potenciais anúncios de pedidos”, projetaram os analistas.
(Imagem: Divulgação/ Embraer)
Defesa: segmento histórico de Farnborough
Historicamente, o Farnborough tem foco mais acentuado no segmento de defesa, e o BTG acredita que este deve ser novamente o destaque da edição deste ano.
“Observamos um senso de urgência muito maior em relação ao desdobramento de orçamentos de defesa, particularmente na Europa, em um cenário em que vários países continuam operando frotas militares envelhecidas”, ressaltaram Marquiori, Recchia e Alkmim.
O resultado é uma demanda sem precedentes por plataformas de defesa, evidenciada pelos níveis recordes de backlog em toda a indústria.
O KC-390 é visto como um dos produtos mais competitivos do mercado em termos de proposta de valor, especialmente quando comparado ao C-130, uma plataforma muito mais antiga. O banco mantém expectativas construtivas em relação ao fluxo contínuo de notícias sobre campanhas em andamento em países como Chile, Colômbia, Grécia e Marrocos.
“Também não descartamos potenciais atualizações relacionadas ao processo MTA da Índia, bem como desenvolvimentos relacionados à parceria recentemente firmada com a Northrop Grumman para desenvolver o sistema de boom para a aeronave”, acrescentaram os analistas.
(Imagem: Divulgação/ Embraer)
Aviação comercial: E2 pode ser protagonista em Farnborough
No segmento comercial, a Embraer anunciou apenas dois pedidos relevantes até agora em 2026: até 46 jatos E2 da Finnair e até 30 E2s da Azorra.
“A ausência de pedidos comerciais adicionais relevantes desde então pode estar intimamente ligada ao próprio Farnborough, já que tanto a fabricante quanto seus potenciais clientes podem estar estrategicamente retendo anúncios para o evento”, avaliaram Marquiori, Recchia e Alkmim, do BTG.
Essa prática é comum na indústria de aviação e adiciona potencial de alta adicional à tese de investimento.
O banco pondera que, embora a guerra traga desafios adicionais para as companhias aéreas com reduções de capacidade de curto prazo e preços mais altos de passagens, as aeronaves pedidas hoje só seriam entregues vários anos à frente — em um ambiente operacional potencialmente mais normalizado.
“A demanda por viagens aéreas continua mostrando resiliência e, com os níveis de backlog da indústria próximos de máximas históricas, companhias aéreas com visão estratégica de longo prazo ainda podem estar dispostas a anunciar pedidos durante o evento”, destacaram os analistas.
(Imagem: Divulgação/ Embraer)
eVTOL: Eve pode marcar presença no show britânico
O segmento de eVTOL tem sido particularmente ativo em 2026. A Archer concluiu a terceira fase do processo de certificação da FAA, tornando-se a primeira empresa americana de eVTOL a fazê-lo, enquanto a Joby voou seu primeiro avião conformado com a FAA sob autorização de inspeção de tipo. Ambas as empresas esperam iniciar operações nos EUA ainda em 2026 sob um programa da Casa Branca.
A Eve, subsidiária da Embraer, também pode marcar presença em Farnborough. O ano passado já trouxe LoIs para a plataforma eVTOL da Eve no Paris Air Show, e a aeronave já realizou mais de 58 voos desde seu voo inaugural em dezembro.
“Com os processos de certificação da FAA e da ANAC esperados para começar no próximo ano, acreditamos que os investidores não devem descartar o potencial de maior fluxo de notícias e crescente interesse comercial na aeronave da Eve daqui para frente”, afirmaram Marquiori, Recchia e Alkmim.
Serviços e aviação executiva completam o cenário
No segmento de serviços, o BTG destaca que airshows tipicamente geram um número relevante de contratos relacionados a oportunidades de cross-sell e upsell no portfólio de serviços da Embraer, tanto com clientes de companhias aéreas quanto governamentais.
“Qualquer contrato incremental de serviços assinado pela Embraer deve ser visto como um driver adicional de crescimento e ROIC, dado o perfil de margens mais altas e menor intensidade de capital do segmento”, pontuaram os analistas.
Já a aviação executiva é o segmento com menor expectativa de anúncios relevantes em Farnborough, com o banco indicando que outros eventos do setor concentram maior atividade comercial nessa área.
Valuation descontado e momentum positivo sustentam a compra
O BTG reforça a convicção na tese de investimento com base em três pilares: fluxo positivo de notícias, sazonalidade e momentum de resultados mais favoráveis nos próximos trimestres, e valuation atrativo.
“Continuamos gostando das ações da Embraer após os resultados do primeiro trimestre e antes do show, com valuation atrativo de 11x EV/EBITDA 2026, implicando desconto de dois dígitos em relação aos pares globais apesar de fundamentos ainda sólidos”, concluíram Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG Pactual.