As ações da Eletrobras (ELET3) fecharam em queda de 2,50% nesta quinta-feira (6), a R$ 38,99, depois do anúncio de que a empresa seguirá como responsável pela gestão de dois programas do governo federal, o Luz para Todos e o Mais Luz para a Amazônia. O anúncio foi feito pelo Ministério de Minas e Energia e confirmado pela empresa.

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A pasta disse que a decisão foi tomada “para garantir uma transição adequada e segura, especialmente para os beneficiários dessas importantes políticas públicas”. Após o prazo, a gestão dos programas passará para a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (Enbpar), criada no ano passado, após a privatização da Eletrobras, justamente para esse tipo de atividade.
O Luz para Todos foi criado em 2003 e já beneficiou mais de 15 milhões de pessoas que não tinham acesso à energia; o Mais Luz para a Amazônia (MLA) nasceu em 2020 para levar energia limpa e renovável a famílias que vivem em áreas remotas, com recursos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Até dezembro do ano passado, o programa tinha atendido mais de 40 mil pessoas.
O ministério informou ainda que pretende reformular os programas, “para que sejam ainda mais inclusivos, garantindo o acesso ao serviço de energia elétrica a todos as brasileiras e brasileiros”.
Eletrobras (ELET3): posição da empresa
O vice-presidente executivo de Regulação e Relações Institucionais da Eletrobras, Rodrigo Limp Nascimento, afirmou à Agência Brasil que a modelagem da privatização previa uma transição de até 12 meses para que essa transferência pudesse ser feita, o que envolve ajustes de sistemas, treinamento de equipes, transferência de conhecimento e histórico de informações pelas duas empresas.
Limp destacou que passados os 12 meses previstos, todos os programas do MME foram transferidos para a Enbpar, à exceção do Luz para Todos e do Mais Luz para a Amazônia. Segundo ele, a diretoria e o conselho da Eletrobras entenderam que esses programas são extremamente importantes para o país, para levar energia para quem não tem, em consonância com a preocupação do MME com o social.
A prorrogação foi aprovada por 95% dos membros do conselho da Eletrobras, “o que deixa muito claras a visão e a preocupação do acionista com a questão social do país e com ações de sustentabilidade que a empresa deve continuar conduzindo”.
Entre as obrigações previstas na privatização estavam ainda a injeção de recursos em dois fundos de revitalização de bacias hidrográficas e no fundo de descarbonização da Amazônia. A previsão é que a Eletrobras vai pagar cerca de R$ 1 bilhão por ano aos três programas, até 2032. Neste ano, já foram aportados R$ 900 milhões.
A companhia é responsável também pela construção da linha que vai interligar Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Roraima é o único estado brasileiro que continua isolado do sistema.
O anúncio fez balançar as cotações da empresa, que vinham em alta nos últimos dias, depois de notícias de bastidores de que o governo deve desistir de reverter a privatização, apesar das recorrentes críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao processo. O acordo com o Ministério das Minas e Energia para manter a gestão dos programas pode fazer parte desse processo de pacificação.
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Eletrobras (ELET3): as últimas da empresa
Na semana passada, a Annel realizou o primeiro leilão de transmissão de energia de 2023, com nove blocos totalizando um capex de R$ 15,74 bilhões para 6.184 km de linhas de transmissão e 400MVA de subestações elétricas. Segundo belatório do banco BTG Pactual (BPAC11), o leilão foi mais competitivo do que o esperado, com 24 empresas e todos os blocos recebendo pelo menos 6 lances.
A Eletrobras venceu o Bloco 4 (linha de transmissão de 303 km em Minas Gerais com capex estimado de R$ 787 milhões), com desconto de 46% (RAP de R$ 69 milhões) após licitação com outras nove empresas. O resultado, segundo o banco, pode ser bastante positivo para a empresa, com benefício fiscal no nível da holding e menor custo da dívida.
A empresa ainda mantém aberto, desde 23 de junho, um programa de desligamento voluntário – o 2º desde a privatização – para até 1.574 funcionários, que têm até o próximo dia 21 para a adesão.
O primeiro PDV foi lançado em novembro do ano passado e abrangeu quase 2,5 mil funcionários, com foco em pessoas próximas ou já com idade de aposentadoria. O custo total para o desligamento ficou em R$ 1,2 bilhão, e resultou em economia mensal de R$ 95 milhões.
O novo programa é focado para todos os funcionários e estima-se um custo entre R$ 450 e R$ 750 milhões, com retorno semelhante ao primeiro programa.
Na ocasião, o BTG atualizou seu relatório sobre a empresa, mantendo a recomendação de Compra das ações ELET3 ao preço alvo de R$ 66 para 12 meses. O valor representa um potencial de valorização próximo de 70% se considerado o fechamento desta quinta-feira.

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