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El Niño pode redesenhar cenário para agronegócio; veja empresas impactadas

El Niño pode redesenhar cenário para agronegócio; veja empresas impactadas

Em relatório, o Itaú BBA avalia que o fenômeno climático representa um risco assimétrico para a região

O possível retorno do El Niño no ciclo 2026/27 pode alterar significativamente as perspectivas para a agricultura da América Latina e para empresas listadas na bolsa de valores. Em relatório, o Itaú BBA avalia que o fenômeno climático representa um risco assimétrico para a região: enquanto a Argentina tende a ser beneficiada por condições mais favoráveis ao campo, o Brasil enfrenta ameaças localizadas à produção agrícola, à inflação de alimentos e ao desempenho de alguns setores da economia.

Segundo o banco, há 63% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Nesse cenário, o Sul do Brasil deve receber chuvas acima da média, favorecendo a produtividade das lavouras. Em contrapartida, o Centro-Oeste e a região do MATOPIBA (que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) podem enfrentar estiagens e atrasos no plantio, comprometendo a produção de grãos.

Na avaliação do BBA, uma eventual quebra de 6% na safra brasileira de soja reduziria os estoques globais da commodity de 28% para 25%, o que tenderia a elevar os preços internacionais e ampliar a volatilidade no mercado agrícola.

Impactos em mercado de capitais

Os impactos também podem chegar ao mercado acionário. O banco vê maior exposição negativa para empresas ligadas ao agronegócio e à logística, como SLC Agrícola (SLCE3), Hidrovias do Brasil (HBSA3) e Banco do Brasil (BBAS3).

De acordo com o relatório, no caso da SLC, o risco decorre da maior presença de operações nas regiões potencialmente afetadas pela seca. Para a Hidrovias do Brasil, níveis mais baixos dos rios podem prejudicar o transporte de grãos, enquanto o Banco do Brasil pode enfrentar aumento do risco de crédito no segmento rural.

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Por outro lado, o cenário tende a favorecer distribuidoras e geradoras de energia. O Itaú BBA destaca Energisa (ENGI11), Equatorial (EQTL3) e Eneva (ENEV3) entre as potenciais beneficiadas, uma vez que o aumento das chuvas no Sul pode melhorar as condições hidrológicas e reduzir pressões sobre o sistema elétrico.

A 3tentos (TTEN3) aparece em uma posição intermediária. Embora possa se beneficiar de uma safra mais robusta na região Sul, onde concentra parte relevante de suas operações, a companhia ainda estaria sujeita a desafios logísticos decorrentes dos efeitos climáticos em outras regiões do país.

Para o Itaú BBA, o principal ponto de atenção é que o El Niño produz efeitos bastante distintos entre regiões. Isso torna o fenômeno um fator relevante não apenas para as projeções de produção agrícola e inflação, mas também para a precificação de empresas expostas ao agronegócio, à infraestrutura logística e ao setor elétrico nos próximos trimestres.

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