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Dívida antes do dividendo: o recado da Petrobras na conferência do BTG

Dívida antes do dividendo: o recado da Petrobras na conferência do BTG

Na conferência de óleo e gás do banco, estatal indicou que o caixa reforçado por produção alta e petróleo caro tem destino certo: o passivo

A Petrobras (PETR4) colocou um número na frente do dividendo extraordinário: US$ 65 bilhões. É para esse patamar que a estatal quer levar a dívida bruta, hoje limitada por um teto de US$ 75 bilhões, segundo o que a companhia sinalizou na conferência de óleo e gás do BTG Pactual, em São Paulo, na semana passada.

Enquanto essa travessia estiver em curso, sobra menos espaço para cheques extras ao acionista.

“A gestão reiterou a intenção de reduzir a dívida bruta em direção a US$ 65 bilhões, o que diminui a probabilidade de dividendos extraordinários”, escreveram os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha.

A fonte desse caixa, ao menos, segue jorrando.

“Nossas conversas nos levaram a acreditar que a produção da Petrobras permanece forte”, apontou a dupla do BTG — os dados da ANP mostram 2,65 milhões de barris por dia em maio, acima da meta de 2026, de 2,5 milhões com tolerância de 4%.

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Cravar superação do guidance, porém, seria precipitado: manutenções em alguns ativos parecem ter ficado para o segundo semestre de 2026.

Investimento sem surpresas

No capex, a mensagem foi de disciplina. A companhia segue dentro do guidance de investimento caixa para 2026, de US$ 16,9 bilhões com variação de 5%, excluído o efeito do câmbio.

Se aparecerem oportunidades de antecipar projetos de 2027, a estatal admite fazê-lo — mas avisou que qualquer movimento do tipo viria com comunicação cuidadosa ao mercado.

Menos um risco na conta

A subvenção aos combustíveis, que já tirou o sono dos investidores pela demora nos repasses, perdeu o posto de ameaça. Com os pagamentos recentes do governo, o risco de capital de giro do programa encolheu de forma substancial, segundo a companhia relatou ao banco.

As margens de refino completam o quadro: os crack spreads — a diferença entre o preço do barril e o dos derivados vendidos — estão mais altos.

No placar do BTG, a soma ficou entre neutra e positiva. A troca proposta ao acionista é clara: menos chance de provento extraordinário agora, em nome de um balanço mais enxuto que, lá na frente, tende a tornar os dividendos ordinários mais seguros e previsíveis.