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Dados de agosto da B3 ficam abaixo do esperado pelo BTG para o trimestre

Dados de agosto da B3 ficam abaixo do esperado pelo BTG para o trimestre

Volume financeiro e número de negócios registraram desempenho mais fraco no mês, ficando aquém das premissas consideradas pelo banco para o período

Christian “Chris” Egan assumiu a presidência da B3 ($B3SA3) em julho e escolheu a abertura da B3 Week, na terça-feira (15), para dizer onde pretende gastar seu capital à frente da bolsa. Não falou de receita, nem de novos produtos.

“A confiança leva anos para ser construída e pode ser perdida em segundos”, afirmou Egan, em relato publicado pelo Valor e destacado pelo BTG Pactual em relatório desta quarta-feira (16). O executivo organizou o futuro da companhia em quatro pilares: clientes, tecnologia, pessoas e confiança.

O ponto sobre clientes veio com uma cobrança interna. Segundo Egan, o retorno do mercado precisa circular na casa como roteiro de soluções, não como pilha de reclamações — e a tecnologia, na leitura dele, é o centro nervoso da bolsa, não uma área de suporte.

Há também a conexão com o capital estrangeiro, que hoje já é menos promessa do que realidade contábil. Investidores não residentes respondem por quase metade do volume negociado em ações na B3, enquanto o investidor local tem acesso a cerca de 800 BDRs e mais de 300 ETFs listados.

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Dados de agosto deixam lucro antes dos impostos 3% a 4%

O discurso, no entanto, dividiu espaço com os números operacionais de agosto, divulgados na noite anterior. Com eles na mão, Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale refizeram a ponte preliminar do terceiro trimestre e chegaram a um lucro antes dos impostos de 3% a 4% abaixo tanto da estimativa do banco quanto do consenso.

A escolha da linha não é acidental. “Os efeitos retroativos do JCP na última linha fazem do EBT uma medida melhor da capacidade de geração de resultado”, escreveram os três analistas do BTG Pactual.

Ações crescem 26%, derivativos ficam para trás

O volume médio diário de ações listadas alcançou R$ 30,3 bilhões em agosto, alta de 26% na comparação anual e de 34% sobre julho. O registro de operações de balcão subiu 17% em um ano, para R$ 4,34 trilhões, e o financiamento de veículos avançou 10%.

A conta não fecha positiva por causa dos derivativos. O volume médio diário excluindo índices ficou em 6,2 milhões de contratos, 1% menor que o de um ano atrás, ainda que 13% acima de julho.

Parte do atraso se explica pela sazonalidade do verão no hemisfério norte, que esvazia as mesas globais em agosto. O trimestre corre marginalmente abaixo do esperado, portanto, mas os analistas não tratam isso como perda definitiva: “A diferença pode ser recuperada rapidamente se a volatilidade eleitoral aumentar.”

BTG mantém B3 em neutro com preço-alvo de R$ 19

A ênfase de Egan em confiança chega num momento em que a B3 deixou de ser questionada apenas por concorrência. O BTG já havia tratado do tema em relatório anterior, depois da interrupção operacional que expôs a resiliência dos sistemas da bolsa.

“Para um player dominante diante de concorrência crescente, essa parece ser a prioridade correta”, avaliaram Rosman, Buchpiguel e Pascale, que se reúnem pessoalmente com o CEO no início de outubro.

A recomendação segue neutra, com preço-alvo de R$ 19 para meados de 2027 — cerca de 9% acima dos R$ 17,42 em que a ação estava negociada na data do relatório. Somado ao dividendo projetado, o retorno total esperado é de 13,2%. O número sai de um fluxo de caixa descontado com custo de capital próprio de 14,5% e crescimento na perpetuidade de 8%.

Nas projeções do banco, a B3 fecha 2026 com receita de R$ 11,2 bilhões, Ebitda de R$ 7,76 bilhões e lucro líquido de R$ 6,2 bilhões, negociada a 14 vezes lucro e com dividend yield líquido de 5,9%.

Para quem quer se posicionar no beta eleitoral e num eventual ciclo de corte de juros, contudo, a casa aponta outro nome. “Continuamos preferindo XP a B3”, concluíram os analistas.