A Cyrela (CYRE3) reportou resultados do quarto trimestre de 2025 em linha com as estimativas, mas com composição que levanta questionamentos sobre a qualidade dos ganhos. Apesar do avanço relevante nos principais indicadores operacionais, parte do desempenho foi sustentada por efeitos não recorrentes, o que tende a moderar a reação do mercado no curto prazo. A avaliação é de relatório do banco Safra.
A companhia registrou crescimento expressivo de receita, impulsionado principalmente pelo segmento de alto padrão. No entanto, fatores pontuais, como benefícios fiscais e ganhos financeiros, tiveram peso relevante no resultado final.
A receita líquida somou R$ 3,2 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta de 29% na comparação anual e 10% acima das estimativas de mercado. O desempenho reflete, sobretudo, a retirada de cláusulas suspensivas em lançamentos recentes de alto padrão, destravando o reconhecimento de receitas.
Qualidade do lucro
O lucro líquido alcançou R$ 682 milhões, alta de 29% na comparação anual e levemente acima das estimativas. Ainda assim, o resultado foi impactado por itens não recorrentes, como um benefício fiscal diferido relevante e ganhos financeiros acima do esperado.
O resultado financeiro líquido foi positivo em R$ 66 milhões, avanço expressivo de 295% ano contra ano, com destaque para a maior contribuição da CashMe. Esse efeito ajudou a compensar uma participação minoritária mais elevada, que somou R$ 158 milhões no trimestre.
Com isso, a margem líquida ficou em 21,1%, com avanço anual, enquanto o ROE (Return on Equity) atingiu 26,7% em base anualizada, levemente abaixo das projeções.
Alavancagem cresce
No fluxo de caixa, a companhia registrou queima de R$ 38 milhões no trimestre, acima das expectativas. Já a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e patrimônio líquido, subiu para 21,5%, avanço de 13,4 pontos percentuais na comparação trimestral, após o pagamento de R$ 1,4 bilhão em dividendos ao final de 2025.
Esse movimento indica maior pressão sobre a estrutura de capital no curto prazo, ainda que em níveis considerados administráveis.
Na avaliação de analistas, os resultados foram neutros. Apesar do leve resultado acima do esperado, a dependência de efeitos extraordinários pode limitar uma reprecificação mais positiva das ações no curto prazo.
Ainda assim, a Cyrela segue como uma das preferidas do setor, sustentada por execução consistente, aumento da exposição ao programa habitacional e valuation atrativo, negociando a cerca de 5,8 vezes o lucro projetado para 2026, com recomendação outperform (compra).






