A Cury (CURY3) apresentou resultados operacionais sólidos no terceiro trimestre de 2026, com vendas líquidas de R$ 2,04 bilhões, alta de 11% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho ficou em linha com as estimativas do BTG Pactual, que também destacou a forte geração de caixa da construtora, acima das projeções.
As vendas brutas da companhia somaram R$ 2,4 bilhões entre julho e setembro, crescimento anual de 17%. Já os distratos, que correspondem aos cancelamentos de contratos de compra de imóveis, aumentaram 59%, para R$ 358 milhões. Segundo a análise do BTG, o avanço pode estar relacionado aos critérios mais rigorosos de aprovação de crédito da Caixa Econômica Federal (CEF).
Apesar desse cenário, a velocidade de vendas da Cury permaneceu em 40%, patamar considerado sólido pelos analistas. O indicador mede a proporção de imóveis vendidos em relação à oferta disponível em determinado período.
Cury lança R$ 2,1 bilhões em empreendimentos
A construtora lançou oito empreendimentos no trimestre, sendo cinco em São Paulo e três no Rio de Janeiro. Os projetos somaram R$ 2,1 bilhões, alta de 7% na comparação anual e volume em linha com as estimativas do BTG.
Cerca de 43% das unidades lançadas foram vendidas ainda no próprio trimestre, resultado que reforça o ritmo comercial da companhia. Ao final de setembro, a Cury mantinha R$ 3,1 bilhões em estoque, valor estável em relação ao trimestre anterior e equivalente a aproximadamente cinco meses de vendas.
A empresa também construiu 6,3 mil unidades no período, crescimento de 28% em um ano. Já os repasses de recebíveis aos bancos totalizaram R$ 1,3 bilhão, queda anual de 13%, impactada pela greve dos funcionários da Caixa ao longo de setembro.
Geração de caixa supera expectativas do BTG
Um dos principais destaques do trimestre foi a geração de fluxo de caixa livre, que alcançou R$ 254 milhões. O resultado superou a projeção do BTG Pactual, de R$ 200 milhões, e corresponde a um rendimento anualizado de aproximadamente 10% sobre o valor de mercado da companhia, segundo o relatório.
Para os analistas, o desempenho demonstra o controle operacional e o modelo de negócios enxuto da Cury, mesmo diante de condições de crédito mais restritivas e dos impactos da paralisação na Caixa.
A forte geração de caixa também reforça as perspectivas de distribuição de dividendos. O BTG avalia que a companhia tem condições de continuar remunerando os acionistas de forma atrativa nos próximos períodos.
BTG mantém recomendação de compra para Cury
Apesar de um cenário mais desafiador para as empresas que atuam no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o BTG Pactual reiterou sua recomendação de compra para as ações da Cury.
O banco destaca a combinação entre crescimento esperado dos lucros, potencial de distribuição de dividendos e preço atrativo dos papéis. A projeção dos analistas é de avanço de 14% no lucro por ação em 2027, acompanhado de um dividend yield de 10%, indicador que relaciona os dividendos pagos ao preço da ação.
Em termos de valuation, o BTG estima que os papéis sejam negociados a cerca de 6,5 vezes o lucro projetado para 2027. Na avaliação do banco, a combinação desses fatores sustenta a recomendação de compra, mesmo diante das perspectivas mais difíceis para o setor imobiliário de baixa renda.






