A Genial Investimentos iniciou nesta quinta-feira (16) a cobertura da Cury (CURY3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 48, em relatório batizado de “A Máquina de Caixa da Habitação Popular”.
“A companhia combina crescimento, previsibilidade operacional e elevado giro de capital, em um modelo no qual a própria operação financia o desenvolvimento imobiliário”, escreveu o analista João Caldas.
O apelido do relatório tem lastro nos números: a construtora chegou ao segundo trimestre de 2026 com 29 trimestres consecutivos de geração de caixa nas próprias operações, além de retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 79,5% no primeiro trimestre.
“Este feito é raro no setor, considerando sua elevada intensidade de capital”, apontou o analista da Genial.
Vender rápido para girar o capital
A engrenagem por trás disso combina velocidade de vendas de 72% nos 12 meses até o segundo trimestre, estoque pronto baixo e repasse ágil dos clientes aos bancos, o que encurta o ciclo de capital e acelera sua reciclagem.
Nas projeções da corretora, a velocidade de vendas atinge 75,5% em 2026, sustentando caixa positivo em todos os anos do horizonte e ROE de 77,5% neste ano e de 73,4% no próximo.
“O principal diferencial da Cury é a capacidade de converter crescimento em geração de caixa operacional”, avaliou Caldas.
A especialização geográfica reforça a máquina: 72% dos lançamentos do primeiro trimestre saíram em São Paulo e 28% no Rio de Janeiro, mercados onde a companhia domina demanda, regulação e terrenos.
A plataforma comercial própria, com rede de mais de 3.500 corretores e análise de crédito no próprio estande, reduz atritos na venda e qualifica o comprador desde o início.
Padronização e terrenos com opcionalidade
A construtora também padroniza as soluções de engenharia dos empreendimentos, o que reduz a variabilidade de prazo e custo — proteção relevante em um ambiente no qual o INCC-M, índice de custos da construção, roda acima do IPCA.
No banco de terrenos, as áreas nos PIUs Arco Tietê e Arco Leste, com cerca de 82 km² de potencial, posicionam a empresa para capturar a bonificação construtiva ligada às cotas sociais nos eixos de adensamento de São Paulo.
Para destravar valor, a corretora aponta gatilhos já no curto prazo.
“Destacamos os resultados dos próximos trimestres, que devem consolidar nos números contábeis a geração de caixa já indicada na prévia operacional, e os anúncios de distribuição de dividendos ao longo do ano”, concluiu o analista.






