A Vamos (VAMO3) deixou para trás o pior momento do ciclo, mas a bolsa ainda não reconheceu a virada. Essa é a leitura do Bradesco BBI sobre a locadora de caminhões e máquinas, que vê a recuperação operacional ganhando tração enquanto a ação segue barata.
“A Vamos continua apresentando sinais consistentes de melhora operacional após o período mais desafiador enfrentado pelo setor“, escreveram os analistas André Ferreira e J. Ricardo Rosalen.
Ocupação da frota em 88%
O termômetro central dessa recuperação é a taxa de utilização da frota, que atingiu 88% no primeiro trimestre de 2026 — seis pontos percentuais acima dos 82% registrados no fundo do ciclo, em meados de 2024.
Segundo a companhia, a estratégia de redução de riscos, apoiada em maior disciplina comercial, recuperação de ativos e melhor gestão da carteira, vem produzindo resultados concretos e permitindo que a ocupação cresça de forma sustentável.
O dado importa porque a utilização dos ativos tem impacto direto sobre a rentabilidade do negócio, com potencial relevante de expansão dos lucros conforme a ocupação continua subindo.
Mercado ainda não precificou
“Consideramos que o mercado ainda não está refletindo plenamente a melhora operacional observada na companhia”, apontaram Ferreira e Rosalen.
Para o banco, o descompasso entre os fundamentos e o preço da ação é o coração da tese neste momento.
“A recuperação deixou de ser apenas uma expectativa e passou a aparecer nos números, enquanto o valuation permanece bastante descontado”, avaliaram os analistas do BBI.
Menos refém dos juros
Outro ponto destacado é que a história de investimento ficou menos dependente do alívio macroeconômico para andar.
“Ganhos adicionais de utilização da frota podem gerar crescimento relevante dos resultados mesmo sem cortes expressivos de juros”, ponderaram os analistas.
O cenário para o setor de locação de caminhões e máquinas ainda exige acompanhamento, especialmente com as taxas de juros no patamar atual — mas, na visão do banco, os vetores da tese seguem apontando para cima.
“Acreditamos que a combinação entre melhora operacional, desalavancagem gradual e múltiplos atrativos sustenta uma visão positiva para a ação”, concluíram Ferreira e Rosalen.






