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Jalles será a mais afetada por tarifas no setor, diz XP

Jalles será a mais afetada por tarifas no setor, diz XP

Perda prolongada de competitividade no mercado americano de açúcar orgânico é o principal risco apontado pelos analistas para a companhia

A Jalles (JALL3) desponta como o nome mais vulnerável do agronegócio brasileiro à nova tarifa americana de 25%, que entra em vigor em 22 de julho, na avaliação da XP Investimentos sobre os efeitos da medida nos setores de agro, alimentos e bebidas.

Essa mudança é particularmente relevante para a Jalles, já que uma perda prolongada de competitividade no mercado americano de açúcar orgânico tende a ser negativa“, escreveram os analistas Leonardo Alencar e Leonardo Paiva.

O golpe atinge a produtora de açúcar em duas frentes: no curto prazo, o ambiente fica mais difícil para repassar preços; no longo, a tarifa cria incentivos para que concorrentes de outros países ocupem a fatia hoje detida pelo Brasil no nicho de orgânicos.

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Medida deixou de ser temporária

A tarifa confirmada pelos Estados Unidos substitui o regime provisório anterior e se apoia na Seção 301 da legislação comercial americana, sob a justificativa de práticas desleais — a lista de queixas inclui comércio digital, o Pix, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais.

O governo brasileiro criticou duramente a decisão, sinalizou possível retaliação e prepara contestação na OMC, enquanto Washington diz seguir aberta a negociações.

“As tarifas anteriores eram percebidas como temporárias, enquanto as medidas atuais parecem refletir uma mudança mais estrutural e provavelmente duradoura”, apontaram os analistas da XP.

Carne bovina escapa, mas risco não sai da mesa

Do lado dos frigoríficos, a notícia foi de alívio: a carne bovina brasileira segue isenta da nova tarifa, e a carga efetiva do setor permanece inalterada em 26,4% para os volumes exportados fora da cota, sem mudanças materiais para os exportadores no curto prazo.

“Não podemos descartar a possibilidade de futuras restrições específicas para a carne bovina ou de requisitos adicionais de conformidade”, ponderaram Alencar e Paiva, lembrando que os Estados Unidos ainda dispõem de outros mecanismos para limitar importações, incluindo medidas ligadas a desmatamento.

O risco embutido no etanol

Para as empresas de açúcar e etanol, há ainda uma ameaça em potencial: um eventual acordo comercial envolvendo o biocombustível.

Se o Brasil aceitar reduzir a tarifa de 18% sobre o etanol americano, a paridade de importação ficaria mais favorável aos produtores dos EUA — movimento pouco relevante para o equilíbrio de oferta e demanda, mas capaz de fechar a janela de envio do produto do Centro-Sul para o Nordeste durante a entressafra da região.

“Vemos espaço limitado para uma resolução no curto prazo, especialmente considerando a sensibilidade política do tema em um ano eleitoral”, concluíram os analistas, para quem o etanol tende a ser tratado dentro de um pacote comercial mais amplo, e não em um acordo isolado.