A prévia operacional da Plano & Plano (PLPL3) no segundo trimestre de 2026 trouxe vendas em alta, mas não foi suficiente para mudar o tom de cautela do Bradesco BBI, que viu o recuo dos lançamentos e mais um trimestre de queima de caixa ofuscarem o avanço comercial da construtora.
“Consideramos os números operacionais levemente negativos“, escreveram os analistas Bruno Mendonça e Wellington Lourenço.
Vendas sobem, lançamentos encolhem
Os lançamentos somaram R$ 781 milhões na participação da companhia, queda de 34% em um ano e de 6% ante o primeiro trimestre, distribuídos em cinco projetos com 3.138 unidades — e com ticket médio de R$ 263,2 mil por unidade, 48% menor do que há um ano. No acumulado do semestre, o volume lançado recuou 21%, para R$ 1,62 bilhão.
As vendas líquidas, por sua vez, cresceram 7% em base anual, para R$ 828 milhões, com 3.351 unidades comercializadas e velocidade de vendas de 51,8% em 12 meses, alta de 2,1 pontos percentuais. Os distratos também melhoraram, caindo 42%, para R$ 61 milhões, o equivalente a 6,2% das vendas brutas.
“Apesar da melhora das vendas líquidas em relação ao mesmo período do ano passado, acreditamos que os resultados não devem alterar a postura mais cautelosa dos investidores em relação à companhia”, apontaram os analistas do BBI.
Covenant perto do teto
O incômodo central está no caixa: a companhia consumiu R$ 87 milhões no trimestre, já considerando a venda de recebíveis, praticamente o mesmo dos R$ 88 milhões do período anterior — e o consumo operacional subiu de R$ 94 milhões para R$ 103 milhões.
A queima reacende a atenção sobre o covenant de endividamento, calculado pela relação entre a dívida líquida somada às obrigações com terrenos e o patrimônio líquido, com limite máximo de 0,8 vez.
“Esse indicador encerrou o primeiro trimestre em 0,78 vez e pode apresentar deterioração após o consumo de caixa do segundo trimestre, embora não esperemos quebra do covenant neste trimestre”, ponderaram Mendonça e Lourenço.
O detalhe é que as obrigações com terrenos entram na conta conforme novos projetos saem do papel — o que transforma o limite contratual em um freio potencial para a operação.
“O tema merece atenção, pois pode limitar parcialmente o ritmo de lançamentos ao longo de 2026”, alertaram os analistas.
Ação 42% no vermelho
Na bolsa, o desempenho reflete o ceticismo: os papéis acumulam queda de 42% no ano, contra alta de 8% do Ibovespa, em meio a sucessivas revisões negativas das estimativas de lucro por ação.
“Seguimos vendo visibilidade limitada para uma melhora mais consistente da trajetória de resultados no curto prazo”, concluíram os analistas do BBI.






