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Crise da Americanas (AMER3): varejista rebate acusações do Bradesco (BBDC4)

Crise da Americanas (AMER3): varejista rebate acusações do Bradesco (BBDC4)

A crise da Americanas ($AMER3) ganha mais um capítulo: a rede varejista entrou com petição na qual rebate ação do Bradesco ($BBDC4) em que a instituição bancária questiona o grau de conhecimento do trio de acionistas de referência da companhia sobre a fraude contábil na empresa. A ação do banco corre na 2ª Câmara Reservada […]

A crise da Americanas (AMER3) ganha mais um capítulo: a rede varejista entrou com petição na qual rebate ação do Bradesco (BBDC4) em que a instituição bancária questiona o grau de conhecimento do trio de acionistas de referência da companhia sobre a fraude contábil na empresa.

A ação do banco corre na 2ª Câmara Reservada da Direito Empresarial de São Paulo e pede produção de provas que definem que houve fraude na companhia, o que acabou por levar a rede a uma recuperação judicial. Essa ação havia sido ajuizada em janeiro deste ano, logo após os fatos que vieram ao mercado há exatos sete meses, segundo dados do Valor Econômico.

Esse novo embate vem depois que o ex-CEO Migue Gutierrez declarou, na semana passada, que os acionistas Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles supostamente sabiam da fraude praticada na empresa.

Além disso, na sexta-feira (8), os bancos Itaú Unibanco (ITUB4), Santander (SANB11) e ABC Brasil (ABCB4) solicitaram em conjunto à 4ª Vara Empresarial do Rio que seja rejeitada uma tentativa do Bradesco (BBDC4) de impugnar créditos na recuperação judicial da empresa e tentar negociá-los à parte das discussões com os outros credores.

Crise da Americanas (AMER3): guerra de acusações pode prejudicar recuperação

Todo este imbróglio que começa a se formar, pode prejudicar a recuperação judicial da rede varejista. Segundo dados do Valor, credores financeiros e de outros segmentos econômicos avaliam que essa guerra de versões que começou na semana passada após as declarações de Gutierrez, podem impactar de forma negativa a recuperação judicial.

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A rede varejista, segundo consta nos dados divulgados por Gutierrez, já passava por problemas financeiros provenientes do consumo de recursos de caixa. A publicação informa que o grupo já necessitava de algo em torno de R$ 8 bilhões há cerca de um ano para fazer frente a grave crise da varejista que já começava a se desenhar.

Americanas refuta ex-CEO

Por sua vez, a rede varejista, em manifestação protocolada na data de 10 de setembro, voltou a refutar de forma veementemente as argumentações de Miguel Gutierrez apresentadas em processo judicial movido pelo Bradesco contra a Americanas.

“A companhia reitera que o ex-dirigente da Americanas não apresentou contraprovas, em nenhum momento, para os documentos e fatos apresentados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no dia 13 de junho de 2023, que demonstram a sua participação na fraude, evidenciada novamente em mais dados apresentados nesta manifestação aos autos do referido processo”, diz a empresa em um trecho da nota.

Confira abaixo o comunicado, na íntegra, da Americanas:

“Em manifestação protocolada na data de 10 de setembro de 2023, a Americanas volta a refutar veementemente as argumentações do senhor Miguel Gutierrez apresentadas em processo judicial movido pelo Bradesco contra a Americanas. A companhia reitera que o ex-dirigente da Americanas não apresentou contraprovas, em nenhum momento, para os documentos e fatos apresentados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no dia 13 de junho de 2023, que demonstram a sua participação na fraude, evidenciada novamente em mais dados apresentados nesta manifestação aos autos do referido processo. O mesmo se deu com os demais órgãos competentes que atuam nas investigações do ocorrido e que já acataram e homologaram delações premiadas de ex-executivos da companhia.

A Americanas reforça ainda que foi a única parte a apresentar provas no âmbito do processo judicial e reitera a afirmação sobre a fraude e a responsabilidade direta do ex-CEO a partir da exposição de novas evidências apresentadas nesta manifestação, tais como:

1) arquivo digitalizado com anotações de próprio punho de Miguel Gutierrez, localizadas em equipamento eletrônico da companhia por ele utilizado, em materiais que apontam a existência de duas versões dos demonstrativos da Americanas, uma de uso interno da antiga diretoria e outra destinada ao Conselho de Administração;

2) e-mail enviado por Miguel Gutierrez aos ex-diretores, com orientações para que não fossem levadas, em reunião com Sérgio Rial, respostas a dúvidas sensíveis em relação ao 4T22 e endividamento da companhia;

3) e-mail enviado pelo ex-CEO aos ex-diretores envolvidos na fraude, pelo qual Miguel Gutierrez reclama do “mar de comentários”, referindo-se a diligentes questionamentos dos membros do Comitê de Auditoria, em linha com as boas práticas de governança recomendadas.

Adicionalmente, foram identificadas várias contradições e mentiras nas alegações contidas na carta apresentada por Miguel Gutierrez, tais como:

1) O senhor Miguel Gutierrez alega que a companhia passava por situação financeira difícil no segundo semestre, que precisaria de aporte de capital e que todos os órgãos da administração tinham ciência desse fato. Documentos apresentados ao Comitê Financeiro em 07/11/22, arquivados no portal de governança da companhia e já disponibilizados à CPI e demais autoridades, mostram de forma inequívoca que a antiga diretoria, liderada por Miguel Gutierrez, apresentou aos conselheiros visão de que a Americanas geraria R$ 500 milhões de caixa no 4º trimestre de 2022 e continuaria gerando caixa nos anos subsequentes, mantendo índice de endividamento financeiro saudável.

2) Outra argumentação sem fundamento apresentada é a de que os órgãos sociais deliberavam sobre questões estratégicas da Americanas sem conhecimento e participação do ex-CEO Miguel Gutierrez. Esta falsa afirmativa cai por terra diante de mensagem sobre ações do Comitê Financeiro, assim como de agendas de reuniões do Conselho, que mostram que o senhor Miguel Gutierrez era ativo na gestão da companhia, como é de se esperar de qualquer Presidente de empresa.

A Americanas reitera que tanto as afirmações supracitadas quanto as evidências que as certificam constam da petição protocolada em resposta ao agravo em processo judicial de autoria do Bradesco e lamenta a posição da instituição financeira, não compartilhada pelos demais bancos credores da companhia, que seguem empenhados num consenso ao Plano de Recuperação Judicial.

A Americanas reafirma que o relatório preliminar apresentado na Comissão Parlamentar de Inquérito se baseia em documentos levantados pelo Comitê de Investigação Independente, além de documentos complementares identificados pela Administração e seus assessores jurídicos, que formataram os documentos em um relatório que indica que as demonstrações financeiras da companhia vinham sendo fraudadas pela diretoria anterior da Americanas, capitaneada pelo senhor Miguel Gutierrez.

A companhia confia na competência de todas as autoridades envolvidas nas apurações e investigações, à frente das conduções de delações homologadas já em segredo de justiça, que devem trazer ainda mais robustez às já contundentes provas apresentadas. A Americanas reforça que é a maior interessada no esclarecimento dos fatos e que irá responsabilizar judicialmente todos os envolvidos na fraude.”

Atualmente. O Bradesco é credor de aproximadamente R$ 4,7 bilhões contra a rede, e também pediu, em outra ação judicial, que os três executivos fossem proibidos de “alienar ativos com o propósito de frustrar futura ação de seus credores”, além de apontar a crise da Americanas (AMER3) como a “maior fraude corporativa da história do Brasil”.