O banco Credit Suisse divulgou relatório de análise setorial sobre os bancos brasileiros de capital aberto e atuação principal no varejo, com projeções otimistas para dois deles, o Banco do Brasil (BBAS3) e o Itaú Unibanco (ITUB4), e visões mais cautelosas para Santander Brasil (SANB11) e Bradesco (BBDC4)
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Segundo os analistas do escritório brasileiro do banco suíço, o ano de 2023 promete “grande divergência” entre os gigantes do setor. Banco do Brasil e Itaú devem ir bem, com um retorno sobre patrimônio (ROE) de quase 20%, beneficiados por juros elevados e boa qualidade dos ativos.
Bradesco e Santander, por outro lado, terão um ano pior na estimativa do Credit Suisse, com ROE perto dos 15%, prejudicados pelas margens e maior exposição ao varejo, que tende a registrar piora da inadimplência.
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Em relatório, os suíços cortaram a recomendação das ações do Santander para venda e mantiveram essa classificação para o Bradesco. Itaú e Banco do Brasil seguem com recomendação de compra.
- Santander: a projeção de lucro foi reduzida em 33%, para R$ 12,3 bilhões, principalmente devido à menor margem com mercado e maiores provisões, levando a uma queda de 8% em relação ao resultado de 2022 e um ROE de 14,5%.
- Bradesco: projeção de lucro foi reduzida em 12%, para R$ 23 bilhões, com um ROE de 14%.
- Itaú: lucro projetado de R$ 34,5 bilhões, com ROE de 20,7%. Para os analistas, o banco tem uma carteira mais defensiva, tanto em PF como PJ, provisionamento conservador e um histórico recente de parcerias e aquisições que abrem caminho para crescimento.
- Banco do Brasil: lucro estimado de R$ 33,4 bilhões no ano, com ROE de 20,9%. A margem financeira deve melhorar e o banco também se beneficia dos bons resultados de BB Seguridade e Cielo.
Os analistas não temem que o BB seja impactado por pressões governamentais. Ao contrário, viram de forma otimista e “com bons olhos” o discurso de posse da nova presidente, Tarciana Medeiros, que prometeu “cumprir sua responsabilidade social e ao mesmo tempo comprometendo-se a criar valor para os acionistas minoritários.”
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Efeito Americanas e efeito Lula sobre os bancos brasileiros
O Credit Suisse não vê risco sistêmico após o colapso das Americanas (AMER3), e acredita que as empresas brasileiras em geral apresentam balanços saudáveis.
Os analistas, contudo, temem o “fim da lua de mel” dos bancos com o setor corporativo, onde a inadimplência permanece bem próxima das mínimas históricas, e um possível aumento de juros nas operações, com mais cautela e atenção para o risco.
As falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de membros do governo com questionamentos sobre a independência do Banco Central, o teto de gastos e uma possível revisão das metas de inflação também são vistos como sinais de alerta, que adicionam incerteza no cenário e devem resultar em prêmios de risco mais elevados e mais demora para a redução das taxas de juros.
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