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Mercado vê Cosan como ação de longo prazo com portfólio mais enxuto, crescimento e macro favorável

Mercado vê Cosan como ação de longo prazo com portfólio mais enxuto, crescimento e macro favorável

Com recomendação de compra, o Bradesco BBI vê a holding em transformação, com portfólio mais simples e foco em reduzir dívida. O banco estima preço-alvo de R$ 7 até o fim de 2026, potencial de alta de 35%.

A Cosan (CSAN3) voltou ao centro das discussões do mercado como uma ação para quem está disposto a investir no longo prazo. Em relatório divulgado nesta quinta-feira (15), o Bradesco BBI atualizou sua cobertura da companhia e manteve a recomendação de compra, com novo preço-alvo de R$ 7 para o fim de 2026, ante R$ 8 anteriormente.

Por volta da manhã, os papéis eram negociados na casa de R$ 5,17, o que implica um potencial de valorização de aproximadamente 35% até o preço-alvo projetado pelo banco.

O ajuste no preço-alvo não muda a leitura central do BBI: a tese passa menos por um “gatilho” de curto prazo e mais por um processo de reestruturação que tende a reduzir riscos e destravar valor ao longo do tempo.

“Atualizamos a nossa cobertura de Cosan com recomendação de Compra e novo preço-alvo de R$ 7,00 para o fim de 2026 (ante R$ 8,00 anteriormente), refletindo premissas mais conservadoras para pagamento de dividendos no curto prazo, dado o foco em redução de dívida”, afirmou o Bradesco BBI.

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Cosan: uma holding mais simples — e com menos dívida como prioridade

Na visão do Bradesco BBI, o primeiro pilar da tese está na simplificação do portfólio, com potencial de venda de ativos não essenciais para acelerar a desalavancagem e reduzir a dívida líquida da holding.

“A tese se apoia em três pilares: (i) simplificação do portfólio, com potencial de venda adicional de ativos entre R$ 7-8 bilhões, o que seria chave para neutralizar rapidamente a dívida líquida da holding”, apontou o Bradesco BBI.

A avaliação do banco é que a Cosan atravessa um momento de transformação que pode reduzir riscos históricos e abrir espaço para criação de valor no longo prazo, à medida que a holding ganha foco e disciplina de capital.

“Vemos Cosan em um momento estratégico de transformação, com medidas que reduzem riscos históricos de alocação de capital e pavimentam o caminho para criação de valor no longo prazo”, avaliou o Bradesco BBI.

Além da simplificação do portfólio, o BBI destacou a redução de despesas gerais e administrativas como um componente relevante dessa nova fase, por liberar recursos e aumentar a flexibilidade financeira da holding.

“A simplificação do portfólio e o corte de despesas gerais e administrativas (de R$ 300-350 milhões para R$ 150-200 milhões nos próximos anos) devem liberar recursos para reforçar a remuneração ao acionista e monetizar créditos tributários”, escreveu o Bradesco BBI.

Onde está o crescimento: Compass ganha protagonismo

O segundo pilar da tese do Bradesco BBI está nas oportunidades de crescimento dentro do portfólio, com destaque para a Compass, apontada como o vetor mais relevante nessa nova fase da Cosan.

“A tese se apoia em três pilares: (ii) oportunidades de crescimento, especialmente na Compass, com destaque para a área de trading (Edge), que investe para capturar oportunidades no mercado brasileiro de gás natural”, destacou o Bradesco BBI.

A mensagem é que a reorganização do portfólio não significa apenas “encolher”, mas direcionar capital e execução para ativos com potencial de expansão estrutural e criação de valor no tempo.

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Macro mais favorável pode acelerar a reprecificação

O terceiro pilar citado pelo Bradesco BBI é o cenário macroeconômico, com a perspectiva de queda de juros funcionando como um vento a favor para uma tese de duration mais longa.

“A tese se apoia em três pilares: (iii) ventos favoráveis no macro, com perspectiva de queda da taxa de juros no Brasil”, afirmou o Bradesco BBI.

Mesmo com juros ainda elevados, o banco observou que a Cosan ganhou resiliência após a oferta recente, com queda da alavancagem da holding.

“Após a oferta recente, a alavancagem da holding caiu, oferecendo maior resiliência em um cenário ainda de juros elevados”, afirmou o Bradesco BBI.

O relatório também quantifica a sensibilidade do valuation ao custo de capital, apontando que a queda da curva de juros pode antecipar a geração de valor ao acionista.

“Estimamos que cada redução de 1 p.p. no custo de capital (Ke) adiciona cerca de R$ 1,20/ação ao preço-alvo (+13% de upside)”, calculou o Bradesco BBI.

Por que o preço-alvo caiu — mesmo com compra mantida

A redução do preço-alvo de R$ 8 para R$ 7 reflete uma visão mais conservadora para dividendos no curto prazo, em um contexto em que a prioridade segue sendo reduzir dívida.

“Atualizamos a nossa cobertura de Cosan com recomendação de Compra e novo preço-alvo de R$ 7,00 para o fim de 2026 (ante R$ 8,00 anteriormente), refletindo premissas mais conservadoras para pagamento de dividendos no curto prazo, dado o foco em redução de dívida”, reiterou o Bradesco BBI.

Ou seja, o BBI manteve a recomendação de compra porque enxerga melhora estrutural no case, mas ajustou o valuation para refletir um retorno ao acionista mais lento no horizonte imediato.

Um ativo que o investidor acompanha há tempo

Apesar do novo relatório do Bradesco BBI reforçar a virada de percepção sobre a Cosan, a companhia não é exatamente uma novidade no radar de quem acompanha o mercado há mais tempo.

Em junho do ano passado, a EQI Research incluiu CSAN3 em sua carteira recomendada de ações Buy and Hold, com peso de 5%, enquadrando a holding como uma aposta de longo prazo sustentada por reestruturação, disciplina financeira e potencial de destravar valor conforme o ciclo de investimentos amadurece.

Quer acompanhar a carteira Buy and Hold da EQI Research e ver a tese completa por trás das escolhas da casa? O conteúdo na íntegra, com a formação do portfólio e atualizações, está disponível no app EQI+.

A Cosan reúne participações relevantes em negócios como Raízen (RAIZ4), Rumo (RAIL3) e Compass, além de outras frentes como Moove e Radar — uma estrutura que chama atenção pela exposição a setores estratégicos, mas que também carregou desafios nos últimos anos, especialmente pela combinação de juros elevados e necessidade de reorganização financeira.