A Cosan (CSAN3) está deixando para trás o ciclo de construção de ativos e entrando em uma nova etapa focada na geração de valor por meio da monetização de seu portfólio. Essa é a principal conclusão de um relatório divulgado pelo BTG Pactual, que avalia que o processo de simplificação da holding deixou de ser apenas uma tese e começou efetivamente a ganhar forma.
Segundo os analistas, a companhia iniciou uma transição importante: de uma estrutura marcada por sucessivas aquisições e expansão para uma estratégia voltada à venda de ativos, redução da alavancagem financeira e simplificação societária. O movimento ocorre em um momento em que investidores buscam maior clareza sobre a capacidade da empresa de transformar seu amplo portfólio em geração de caixa.
Apesar dos avanços, o banco ressalta que o caminho não foi livre de obstáculos. A abertura de capital da Compass ocorreu com uma avaliação inferior à inicialmente esperada pelo mercado, enquanto a persistência da inflação e dos juros elevados no Brasil acabou retardando o processo de desalavancagem da holding.
Ativos no radar da Cosan
Ainda assim, o BTG entende que a situação financeira da Cosan evoluiu significativamente nos últimos meses. Após a realização de uma oferta subsequente de ações e do IPO da Compass, a dívida líquida ajustada da holding apresentou queda relevante.
No entanto, a estrutura de capital ainda exige atenção. O banco calcula que as despesas financeiras continuarão superando os dividendos recebidos das subsidiárias em 2026, o que deverá resultar em uma queima de caixa próxima de R$ 1 bilhão neste ano, desconsiderando eventos extraordinários.
Para os analistas, porém, o desafio está longe de ser insolúvel. O relatório aponta que a Radar e a Rumo (RAIL3) aparecem como os ativos mais prováveis para monetização no curto prazo, enquanto a Moove permanece como uma alternativa estratégica de alta qualidade para operações futuras. Já a Compass, após sua listagem, passou a representar uma participação com liquidez para a holding.
Desconto elevado
Um dos pontos que mais chama a atenção do BTG é o fato de a Cosan continuar negociando com um desconto de holding de 29%. Em outras palavras, o mercado atribui à empresa um valor significativamente inferior à soma de suas participações nos diversos negócios controlados.
Na avaliação do banco, esse desconto deveria começar a diminuir à medida que o processo de simplificação avance. Os analistas argumentam que o mercado ainda precifica a complexidade da estrutura corporativa, mas não incorpora adequadamente os benefícios que poderão surgir com a venda de ativos e a redução do endividamento.
A mudança também altera a própria tese de investimento na companhia. Se anteriormente a discussão estava concentrada na capacidade da Cosan de financiar novos ciclos de expansão, agora o foco passou a ser a captura de valor dos ativos já construídos ao longo dos últimos anos.
Com base nessa visão, o BTG reiterou sua recomendação de compra para as ações da companhia. O novo preço-alvo foi fixado em R$ 8 por ação, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 145% em relação aos níveis atuais, incorporando revisões nas avaliações da Compass e da Rumo.
A análise ganha ainda mais relevância após o anúncio da venda de parte dos ativos agrícolas da Radar por R$ 1,85 bilhão. O movimento reforça a percepção de que a estratégia de monetização começou a sair do papel e pode marcar o início de uma nova fase para a Cosan, mais focada em destravar valor do que em ampliar sua já diversificada carteira de negócios.






