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Vendas no varejo dos EUA surpreendem e crescem 0,9% em maio

Vendas no varejo dos EUA surpreendem e crescem 0,9% em maio

Resultado veio acima das projeções, impulsionado parcialmente por combustíveis mais caros

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos, por meio do Census Bureau, divulgou nesta quarta-feira (17) que as vendas no varejo do país avançaram 0,9% em maio, superando as expectativas do mercado. O resultado veio após alta revisada de 0,4% em abril e ficou acima da projeção de economistas, que esperavam crescimento de 0,5% no período.

Parte do desempenho mais forte no mês foi influenciada pela alta nos preços da gasolina, que elevaram as receitas nos postos de combustíveis. O aumento dos preços foi impulsionado pelo cenário geopolítico, especialmente o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que levou os combustíveis a máximas de quatro anos.

Apesar disso, os preços da gasolina já começaram a recuar nas últimas semanas, com a média nacional voltando para abaixo de US$ 4 por galão. Esse movimento tende a reduzir o impacto positivo observado nas vendas no curto prazo, o que pode limitar novos avanços do indicador nos próximos meses.

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Núcleo mostra crescimento mais sustentável

Excluindo categorias mais voláteis — como automóveis, combustíveis, materiais de construção e alimentação fora do domicílio —, as chamadas vendas no varejo “core” cresceram 0,7% em maio, após alta de 0,5% em abril. Esse indicador é acompanhado de perto por analistas por ter maior correlação com o consumo das famílias no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).

O comportamento do núcleo reforça a resiliência do consumo americano, que continua sendo o principal motor da economia do país. O gasto das famílias representa mais de dois terços do PIB dos Estados Unidos, o que torna os dados de varejo um indicativo relevante da atividade econômica.

Apesar do resultado positivo, economistas apontam que o ritmo de crescimento pode perder força à frente. O impulso vindo de restituições maiores de impostos, que ajudaram a sustentar a demanda recente, tende a diminuir, ao mesmo tempo em que os preços ainda elevados pressionam o poder de compra dos consumidores.

No primeiro trimestre, o consumo cresceu a uma taxa anualizada de 1,4%, contribuindo para o avanço de 1,6% do PIB no período. Já as estimativas mais recentes do Federal Reserve de Atlanta indicam crescimento mais forte no segundo trimestre, com projeção de 2,8%, apoiada justamente pela resiliência da demanda interna.