Home
Notícias
Ações
B3: volumes perdem tração e dividem avaliação

B3: volumes perdem tração e dividem avaliação

Derivativos seguem pressionados, enquanto ações mantêm desempenho positivo no anual

Os dados operacionais da B3 ($B3SA3) referentes a maio indicam desaceleração marginal dos volumes negociados, após um início de ano mais forte.

A média diária negociada em ações (ADTV) caiu 15% na comparação mensal, para R$ 31,6 bilhões, embora ainda acumule alta de cerca de 17% em relação ao mesmo período de 2025.

O movimento reforça a percepção de perda de tração no curto prazo, ainda que em níveis historicamente elevados.

Atividade em ações segue robusta

Para o BTG Pactual, os volumes continuam sólidos quando comparados ao ano anterior, mas com sinais claros de enfraquecimento na margem.

Os volumes seguem fortes na comparação anual, mas perderam tração na margem, o que reduz o espaço para surpresas positivas daqui em diante”, afirmam os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.

Publicidade
Publicidade

O banco destaca que, considerando os dados de abril e maio, o desempenho ainda está alinhado às projeções para o segundo trimestre, mas a desaceleração sequencial pode levar a revisões negativas de lucros se persistir.

A média diária projetada para o período segue cerca de 8% acima das estimativas do BTG, mas já com sinais de moderação.

Derivativos pressionam receita

O segmento de derivativos foi o principal destaque negativo do período, com volumes pressionados tanto na comparação mensal quanto anual. No Safra, a leitura também aponta para fraqueza nessa linha de negócios, especialmente em contratos ligados a juros, câmbio e criptoativos.

Os volumes em derivativos permaneceram pressionados, refletindo atividade mais fraca em juros, câmbio e cripto, com impacto direto nas receitas do segmento”, dizem os analistas Daniel Vaz e Rafael Nobre. A receita mensal com derivativos caiu, acompanhando a redução de volumes negociados.

Além disso, o BTG chama atenção para a queda relevante em outras linhas, como o mercado de balcão (OTC), que recuou de forma expressiva no período. “Os volumes de registro em OTC foram fracos, enquanto derivativos listados também mostraram queda sequencial”, destacam Rosman, Buchpiguel e Pascale.

Recomendação dividida entre bancos

Diante desse cenário, as recomendações divergem entre as casas. O BTG Pactual mantém visão neutra para B3SA3, com preço-alvo de R$ 20, argumentando que o papel se tornou uma aposta mais dependente do ciclo macro e do sentimento do mercado.

“Após o rali recente e revisões positivas de lucros, a perda de momentum pode levar a ajustes no sentido oposto, especialmente se os volumes não reagirem”, afirmam os analistas do BTG. O banco também menciona incertezas sobre a estratégia da nova gestão e pressões no setor global de bolsas.

Já o Safra adota uma postura mais construtiva, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 23. Para o banco, apesar da leitura neutra dos dados de maio, a ação apresenta potencial de valorização relevante.

“Vemos os dados como neutros, apontando uma estabilização após a normalização do pico observado em março, sem catalisadores claros no curto prazo”, afirmam Vaz e Nobre. Ainda assim, o Safra entende que o valuation e a resiliência de algumas linhas de negócio sustentam uma visão positiva.